A Contribuição das Expedições Zoológicas Polonesas (1910-1924) para a História Natural no Paraná

Tadeusz Chrostowski (1878-1923), patrono da Ornitologia paranaense (Fonte: Jaczewski, 1924)

Poucas pessoas têm noção da importância que as expedições estrangeiras empreendidas desde o início do século passado tiveram para o desenvolvimento das ciências naturais em toda a América do Sul.O Brasil antes desconhecido, estudado que fôra apenas por poucos abnegados como George Marcgrave, Wilhelm Piso e Alexandre Rodrigues Ferreira, significava não somente um país de proporções continentais recheado de novidades para o conhecimento da época. Era também uma nação politica e socialmente primitiva, o que lhe conferia o título de um dos maiores mananciais de informações inéditas nas bravias zonas tropicais do planeta.

Recebendo materiais colhidos em de tais expedições, os cientistas dos países que detinham a hegemonia política mundial satisfaziam-se em analisar superficialmente as amostras obtidas, dando-lhes nomes latinos e quando muito estudando suas particularidades anatômicas. Como que uma contra-corrente -que felizmente se estabeleceu a partir do fim do Século XIX -iniciou-se uma nova mentalidade na ciência ornitológica em todo o mundo. Já não bastavam mais as descrições restritas ao colorido e medidas de exemplares empalhados dos quais, de um modo geral, faltavam os dados básicos da localidade e data em que foram coletados. Passaram os naturalistas -eles próprios – a ir em busca de seu objeto de trabalho, mas dessa vez acompanhando-o de observações feitas na natureza, a respeito dos modos de vida das aves, seus hábitos, alimentação, reprodução e ambientes em que viviam.

Assim, a reconstituição de itinerários de suas expedições transformou-se em uma tarefa indispensável: o material colhido e sua documentação, não poderia mais ser desperdiçado por falta de conhecimento sobre a localização precisa, as condições do ambiente e vários outros aspectos sobre os locais de ocorrência das espécies encontradas.

Não há exagero em afirmar que apenas com estudos desse tipo é que torna-se possível o resgate de uma série considerável de dados sobre distribuições geográficas, composições faunísticas e mesmo da dinâmica à qual o ambiente se submete frente às tantas modificações impostas pelas atividades humanas. Do ponto de vista histórico, o resultado pode se estender para incontáveis inferências, várias delas como subsídios a planos de recomposição dos ecossistemas modificados.

Entretanto, as contribuições oriundas de viagens de naturalistas e exploradores, inclusive os seus magníficos legados sob a forma de espécimens de museu, diários de campo, anotações variadas e mesmo artigos publicados (mas esquecidos pelo tempo), costumam ser negligenciados em trabalhos tradicionais que versam sobre fauna e flora de inúmeras regiões brasileiras.

Há que se considerar, ainda, que os próprios viajantes não foram, em geral, muito criteriosos na anotação dos locais em que trabalharam, concentrando suas atividades sob a forma de amostragens pontuais e utilizando-se com frequência de menções a topônimos imprecisos ou demasiadamente generalistas. Suas anotações de campo, inclusive, dificilmente têm acesso franqueado aos historiadores, restando apenas a possibilidade de abstrações baseadas em fontes secundárias (rótulos de exemplares, publicações posteriores, informações de terceiros).

Para amplificar o problema, as obras de consulta paralela (mapas, dicionários geográficos ou gazetteers) mais antigas -que aproximam com maior fidedignidade as denominações toponímicas por eles citadas -sofrem acentuado e gradativo processo de deterioração, ao tempo em que nomes de localidades alteram-se de acordo com a política local vigente.

De antemão, pode-se afirmar que o Paraná não foi muito privilegiado pela visita de naturalistas viajantes, como tanto o foram outros estados do Brasil. Trata-se de um panorama muito diferente daquele presenciado em outras regiões brasileiras, como a Amazônia no Século XVI, as regiões nordeste (Século XVII) e sudeste (Século XIX) (Papávero, 1971; Pinto, 1979; Teixeira, 1992; Vanzolini, 1996; Nomura, 1996a, 1996b, 1996c, 1996d, 1997, 1998; Sick, 1997).

No caso particular do Paraná, os registros de espécies da avifauna, até o Século XIX (e mesmo com raras exceções até o início do século seguinte), além de raros, consistiam de relatos pouco expressivos de viagens de exploração (p.ex. Camillo Lellis da Silva em 1849, Thomas P.Bigg-Wither entre 1872 e 1875, José Cândido Muricy em 1896).

É justo, por essa razão, admitir que a Ornitologia no Paraná iniciou apenas no ano de 1820, como consequência da valiosa contribuição do austríaco Johann Natterer (em visita ao Estado entre 1820 e 1821), sobre cuja contribuição assenta todo o conhecimento produzido até os dias de hoje (Scherer-Neto e Straube, 1995). Posteriormente, mais ou menos de forma contemporânea, outros esforços proporcionaram contribuições adicionais, podendo-se destacar as expedições do francês Auguste de Saint-Hilaire (em 1820) e do alemão Friedrich Sellow (em 1828).

O intervalo cronológico estendido desde o início no Século XX até a década de 30, foi denominado “Período de Chrostowski” por Scherer-Neto e Straube (1995), em alusão ao polonês Tadeusz Chrostowski (1878-1923), por certo o pesquisador e naturalista que mais relevantes contribuições prestou à ciência ornitológica paranaense. Por três ocasiões, Chrostowski esteve pesquisando a avifauna do Estado, tanto na realização de acuradas observações, quanto na documentação museológica por meio de espécimes.

Seu magnífico legado, contudo, permaneceu subestimado em grandes obras da História da Zoologia, não obstante o valor importantíssimo, graças ao critério com o qual foi coligido e o esforço despendido para tanto. Desta forma, o presente estudo pretende apresentar uma série de informações históricas, geográficas e ornitológicas referentes às três expedições de T.Chrostowski ao Paraná. Trata-se de uma versão prévia de um estudo mais abrangente que se encontra em preparação pelos autores.

BASES HISTÓRICAS

Século XIX em um “Brasil dos viajantes”

A partir da segunda década do Século XIX iniciou-se um período em que concentraram-se diversas atividades de pesquisas voltadas à fauna e à flora do Brasil. Um episódio, em particular, foi determinante para a intensificação da busca pelo conhecimento da composição faunística e florística do País: a abertura dos portos brasileiros às nações amigas, determinada por D.João. Essa iniciativa causou um grande afluxo de naturalistas viajantes a toda a América do Sul, especialmente ao Brasil (Pinto, 1945, 1979; Guix, 1995; Sick, 1997), pois até esse período, o Brasil era simplesmente fechado aos estrangeiros. Viajar, particularmente para forasteiros, dentro dos domínios portugueses do Novo Mundo, havia sido virtualmente proibido pelas autoridades do Século XVIII (Manthorme, 1996).

Outro fato político importante foi a inevitável mudança da corte real portuguesa, em consequência da invasão desse país pelos exércitos napoleônicos (Goeldi, 1896; Ihering, 1902; Vanzolini, 1996; Straube, 2000). Junto ao séquito, cujo destaque era a arquiduquesa Leopoldina da Áustria, vinda para casar-se com D.Pedro I, estava um grupo de naturalistas que se tornou famoso pelas pesquisas que desenvolveram pioneiramente em território brasileiro. Do grupo de naturalistas vindos com a esquadra, ou independente dela, destacaram-se a dupla Spix e Martius, o Príncipe de Wied-Neuwied, Johann Natterer, Johann Mikan e o conde de Castelnau cujo esforço foi seguido, contemporaneamente ou em período muito próximo, por vários outros como Auguste de Saint-Hilaire, Friedrich Sellow e os integrantes da expedição Langsdorff.

Naquele tempo, o completo desconhecimento sobre a natureza daquela então inóspita região, estimulava os viajantes, especialmente com relação às novas e desconhecidas condições que as terras ignotas da América proporcionavam. Dessa forma, os objetivos principais das expedições científicas, voltavam-se à busca por informações básicas e, preferencialmente espécimes, colhidas com grandes dificuldades durante viagens minuciosamente preparadas.

Tais viagens apresentavam características muito marcantes. É certo, por exemplo, que os naturalistas mais famosos e, em muitos casos os mais produtivos, mantinham contacto entre si, seja pessoalmente, seja por correspondências ou por leitura de diários, publicados ou não. Assim, eles podiam planejar suas viagens com bastante antecedência, prevendo todo o percurso e os melhores pontos para estabelecer suas bases principais, a partir das quais realizariam incursões pelo interior afora. Por causa dessa característica, ocorreram várias coincidências de itinerários entre as várias expedições estrangeiras ao Brasil, não devidas exclusivamente ao intercâmbio entre os naturalistas, mas sim à restrição de linhas de deslocamento (caminhos coloniais) e aos pontos de partida ou chegada (capitais de províncias e de comarcas, portos, ?registros de cavalgaduras? etc.). Esse limitante, associado ao evidente temor por hostilidades dos índios, fizeram com que maior parte das expedições não se aventurassem em demasia pelo interior: acabaram se concentrando nas zonas próximas do litoral ou imediações dos centros urbanos da época.

O padrão geográfico da maior parte das expedições ao Brasil, ficou então, concentrado em linhas de itinerário comuns a quase todos os naturalistas que as empreenderam. Aparentemente, acabou-se por visitar locais já antes estudados, propiciando resultados muitas vezes coincidentes.

Esse é um dos motivos pelos quais o Paraná hospedou tão pequeno número (e em tão restrita área geográfica, concentrada na metade oriental do Estado) de

exploradores estrangeiros no Século XIX, situação repetida em outras regiões do Brasil como o interior do nordeste e o pantanal sul-matogrossense.

Tais questões, associadas a uma série de outros acontecimentos políticos, foram decisivas para um novo período do Século XIX, inclusive pela evidente influência que os naturalistas viajantes imprimiram sobre os novos aventureiros.

Uma vez iniciada a corrida pela descoberta de raridades que viviam apenas nas terras tropicais, passou-se a considerar com muito mais ênfase a impressionante diversidade de espécies que ali habitavam. Os resultados dos primeiros naturalistas davam claras indicações de que ainda havia muito a ser descoberto, pesquisado e mesmo reencontrado.

Passado o período pioneiro, restava o encargo de se aventurar mais para o interior, em busca daquilo que tinha deixado de ser encontrado pelos naturalistas mais antigos. Ao mesmo tempo, surgia uma tendência para modificar os métodos e as concepções da Zoologia tradicional.

Junto a essas causas, vários episódios acabaram por delinear as subsequentes iniciativas científicas no território brasileiro, destacando-se os incentivos governamentais à colonização estrangeira no sul do País, iniciados em 1850, graças a inúmeros instrumentos legais (p.ex. a famosa “Lei de Terras” ou Lei nº 601 de novembro de 1850). Com isso, observou-se, além do aumento circunstancial da população residente, um considerável fluxo de intelectuais estrangeiros que passaram a morar no Brasil e que podem ser considerados os precursores de uma História Natural residente e principalmente institucionalizada. Alguns nomes que se destacaram nesse sentido, foram Fritz Müller (em Santa Catarina), Emilie Snethlage (em Belém e Rio de Janeiro), Hermann von Ihering (em São Paulo) e Emil Goeldi (em Belém).

Mesmo cessado o grande surto imigratório inicial, os países de onde partiram os colonizadores, continuavam mantendo colônias intimamente dependentes, seja na preservação da língua e dos costumes, seja influenciando diretamente na política local. Criaram-se verdadeiros cistos étnicos estrangeiros com objetivos – dentre vários outros -voltados à exploração da abundante matéria-prima que ali existia (Richter, 1986). A necessidade de investigações acerca da natureza da região era, dessa forma, essencial, especialmente com relação aos recursos economicamente exploráveis como minerais, madeiras-de-lei e mesmo a caça, atividade de subsistência naqueles tempos.

Assim, as expedições zoológicas, além da simples obtenção de amostras das variadas formas de vida de uma terra desconhecida, passaram a ter importância estratégica. Ao mesmo tempo, os próprios imigrantes, associados ao já bem estabelecido grupo de investigadores brasileiros, passaram a se institucionalizar. Não por coincidência, esse período foi sincrônico com as fases áureas das instituições científicas brasileiras: o Museu Nacional (Rio de Janeiro), o Museu Paraense (Belém), o Museu Paranaense (Curitiba) e o Museu Paulista (São Paulo).

Isso marcou profundamente a história ornitológica paranaense, tendo reflexos até os dias de hoje. Espécimes depositados em museus do exterior e, portanto, de acessibilidade muito dificultada, não apenas pela impossibilidade de consultá-los mas porque se tornaram rapidamente peças protegidas pelo valor histórico, foram substituídos por exemplares agora mantidos no Brasil, com muito maior facilidade de consulta. Afinal de contas, já haviam cientistas de renome na Zoologia que pudessem, eles próprios, empenhar-se no estudo metódico da fauna brasileira.

Como contribuição pioneira de instituições brasileiras em território paranaense, deve-se mencionar quatro naturalistas-viajantes a serviço do Museu Paulista (quando ainda abrigava as coleções ornitológicas, dele desmembradas em 1939): José Leonardo Lima (no Paraná entre 1900-1901), Wilhelm Ehrhardt (entre 1900-1901), Ernst Garbe

(de 1901 a 1914) e Adolpho Hempel (em 1903). Do Museu Nacional veio Emilie Snethlage (no ano de 1928), pioneira da Ornitologia brasileira e, como participação estrangeira, surgiu Alphonse Robert (em 1901), a serviço do Museu Britânico de História Natural, da Inglaterra. A isso se resumia todo o esforço de obtenção de informações sobre a avifauna paranaense, após a visita de Natterer, quase um século antes.

O cenário paranaense durante as expedições polonesas

Não é exagero afirmar que a contribuição polonesa mais destacada à História Natural no Paraná e, certamente de todo o sul do Brasil, resume-se ao material obtido pelas três expedições lideradas por Tadeusz Chrostowski, entre os anos de 1910 e 1924. E esse esforço torna-se ainda mais valioso se forem levados em considerações, alguns aspectos da política da ciência daquela época.

No âmbito estadual, o conhecimento sobre a rica fauna, flora e recursos minerais do Paraná, girava em torno de sua instituição científica maior: o Museu Paranaense, fundado em 1874 (Fernandes e Nunes, 1956). Com planos institucionais voltados a reverter a posição obscurecida pelas instituições congêneres brasileiras, esse museu assumiu, somente por volta de 1906, um interesse claro de enriquecer o acervo precursor, basicamente formado por peças de exposição e sem dados adicionais (Cordeiro e Corrêa, 1985). A esse desejo, somou-se a pretensão de seus administradores de publicar “um trabalho intitulado Ornis Paranaense, baseado nas collecções do Museu” (Martins, 1906). Lamentavelmente, essa obra não veio a se concretizar, mas por certo tratou-se de uma das primeiras iniciativas para divulgação da riqueza ornitológica neste Estado.

Abstraindo-se tais informações e os esparsos exemplares depositados (e muitos deles sem os necessários dados de procedência e data) em vários museus da Europa, pode-se afirmar que houve uma enorme lacuna de esforços para o conhecimento da composição da avifauna estadual no período compreendido entre a divulgação dos resultados de Natterer (em 1871: publicação de A.von Pelzeln) e Chrostowski (em 1926: publicação de J.Sztolcman). Dessa forma, o naturalista polonês, em sua primeira viagem, encontrou um panorama de quase que completo desconhecimento: de toda a fauna que compõe a lista de aves paranaenses, nem sequer 30% do total tinha sido encontrado por J.Natterer (vide Scherer-Neto e Straube, 1995).

A população do Paraná, no ano de 1908, foi oficialmente definida como 450 mil habitantes, havendo um nítido crescimento tanto em decorrência de taxas de natalidade superiores às de mortalidade como, principalmente, pela corrente imigratória, estabelecida desde o início do Século XX (Plaisant, 1908). Vinte anos depois eram quase 700 000 os habitantes paranaenses e, em 1940, passavam de um milhão e duzentos mil (Dorfmund, 1963).

O crescimento populacional exigia uma presença a cada vez mais expressiva de paranaenses no cenário político nacional. Com isso, assuntos antes considerados pouco relevantes, passaram a ser prioritários. Nessa situação enquadram-se os limites políticos, em particular de uma área hoje localizada no oeste dos estados do Paraná e Santa Catarina, conhecida como região do Contestado. Pode-se afirmar, por exemplo, que o contorno do Paraná, até 1920, era incerto, como consequência dessas disputas e reivindicações territoriais com países vizinhos (Argentina) e estados adjacentes (Santa Catarina, São Paulo).

Relacionado com isso está a colonização do interior do Estado. No início do Século XX até por volta da década de 40, o Paraná era dividido em duas regiões,limitadas por uma linha imaginária que ia do nordeste ao sudoeste. Na porção mais oriental concentrava-se toda a população do território, especialmente na capital, nas cidades portuárias de Paranaguá e Antonina e ao redor de alguns núcleos urbanos dispersos. O restante era cons iderado “sertão”, sendo constituído principalmente por florestas nativas apenas raramente vencidas por expedições exploratórias. Esse quadro permaneceu por mais algumas décadas, quando por volta da década de 50 o noroeste foi finalmente povoado por intervenção de companhias de colonização apoiadas pelo governo.

Interessava, em particular, a matéria-prima de extrativismo -madeiras de lei e erva-mate -e quando essa começou a se esgotar, os planos de desenvolvimento voltaram-se para o desenvolvimento agrícola, agora utilizando-se da chamada “terra¬roxa”, um solo especialmente favorável para o estabelecimento de monoculturas e vastamente distribuído pela metade setentrional do Estado.

Com o decorrer do tempo, as estradas e outras vias de acesso passavam a ser mais numerosas. Contudo, no intervalo temporal em que ocorreram as expedições polonesas -1910 a 1924 -elas apresentavam-se em estado precário, de forma que muitos exploradores chegaram mesmo a sugerir o uso dos rios como alternativa para o transporte de cargas, com destaque para projetos de intercâmbio entre o Paraná e os estados vizinhos de São Paulo e Mato Grosso do Sul e também com a Argentina e Paraguai.

Chrostowski, no intervalo cronológico de suas três viagens, encontrou dois “paranás”. Um deles era basicamente agrícola, com quase toda a população concentrada nas cidades, latifúndios já bem estabelecidos e pequenas propriedades cedidas pelo governo para os imigrantes estrangeiros. O outro, inóspito, era dominado por matas tropicais virgens, com vocação para o extrativismo e quase que totalmente despovoado, vivendo de promessas de desenvolvimento, abortadas pelas dificuldades de estabelecimento de vias de transporte.

No primeiro, os centros urbanos distribuíam-se pelo litoral, ao redor da capital e ao longo da ferrovia São Paulo-Rio Grande. Na porção sententrional do Estado, concentravam-se os núcleos de imigrantes poloneses e ucranianos que começaram a se fixar já no começo do século. Foi a partir desses centros que Chrostowski iniciou seu projeto de pesquisa sobre as aves paranaenses.

Por opção ou ocasião, foi exatamente no interior que a colonização polonesa de todo o sul do Brasil foi mais intensa, uma vez que as regiões litorâneas já haviam sido povoadas por vários grupos de alemães e italianos. Isso foi o aspecto decisivo e que deu relevância à contribuição polonesa para a história natural sul-brasileira. Era exatamente ali que faltavam as informações biológicas ainda não obtidas pelos naturalistas anteriores.

Chegado ao Paraná como imigrante agricultor, Chrostowski estabeleceu-se na recém-criada colônia de Vera Guarani, próxima do Rio Iguaçu. Esse “centro urbano” era desde o início um exemplo das estratégias de colonização européia, especialmente polonesa, no Paraná. A urbanização de Vera Guarani seguiu o exemplo de um cooperativismo agrícola iniciado, no Paraná, já na segunda década do Século XIX, quando alemães estabeleceram um núcleo de imigrantes bastante fechado, chamado Colônia Rio Negro (hoje município de Rio Negro). A idéia dos colonizadores europeus era organizar suas estruturas de compra e venda em comum, além de suprir necessidades de educação e lazer por meio de sociedades muitas vezes herméticas, calcada na língua e costumes dos países de origem, em geral dificultando a penetração de indivíduos nativos.

Tal independência, ou criação de quistos étnicos como definido por Richter (1986), gerou o desenvolvimento de vários núcleos urbanos, vários deles oficialmente estabelecidos. Foi, por exemplo, com a mesma filosofia que surgiram os célebres povoamentos, como as colônias Tereza Cristina (franceses, 1847), Cecília, berço do anarquismo de Giovanni Rossi (italianos, 1890; v. Mello-Neto, 1996) e Muricy (poloneses, 1910). Embora estabelecida desde 20 de janeiro de 1909, Vera Guarani acabou por ser oficializada apenas em 1930 (Decreto-lei 581/38), com a criação da chamada “Liberdade” ou, formalmente, “Cooperativa Agrária de Consumo de Responsabilidade Ltda”. Naquele tempo, o processo burocrático para a oficialização de tais associações de agricultores era excessivamente moroso. Tanto que a cooperativa de Vera Guarani foi a primeira, no Paraná, a receber o status como tal, ainda que o registro haja sido efetivado apenas 12 anos após o decreto (Guazzi, 1999).

Especificamente no ano de 1912, Vera Guarani estava dividida em duas sedes, que somavam quase 18.000 ha (8055 lotes), que abrigavam 4 219 habitantes, de 838 famílias (Leão, 1924-1928).

É de se mencionar, que essas associações visando a divisão de tarefas e lucros entre a comunidade, idealizadas pelos imigrantes europeus, depois generalizadamente aceitas, ainda hoje tem grande destaque no panorama econômico paranaense. O cooperativismo agro-pecuário no Paraná responde, atualmente, por quase 50% do PIB da agricultura no Estado (OCEPAR, 2000).

AS VIAGENS DE CHROSTOWSKI NO PARANÁ

Primeira expedição (1910)

A primeira viagem ao Paraná, iniciada em maio de 1910, não tratou-se de uma expedição no sentido formal. Chrostowski, ao chegar no Paraná, instalou-se como imigrante na colônia de Vera Guarani e, a partir dali, empreendeu excursões de coleta e observação ornitológica, contemporizando-as com suas atividades como agricultor.

Desde então, até meados de dezembro daquele mesmo ano, explorou os arredores da colônia, deslocando-se até as localidades de Rio Paciência e Chapéu de Sol (Chrostowski, 1912).

A intercalação entre datas de coleta de exemplares obtidos nesses topônimos e dos obtidos em Vera Guarani, indica claramente que o naturalista empreendia excursõespara as adjacências da área onde morava. É muito provável que procurasse por locais distintos, com a finalidade de encontrar espécies de aves diferentes das que dispunha ali.

Dessa região em que trabalhou, pode-se facilmente traçar um esboço de como se apresentava a vegetação, naquela época. Dentre seus espécimes aparecem aves indicadoras da existência de florestas primárias ou pouco alteradas, assim como de taquarais. Haviam também ambientes abertos como campos e áreas degradadas do tipo capoeiras, pomares e jardins. O panorama local, enfim, completava-se com alguns hábitats aquáticos, talvez de beira-rio, pela presença de aves paludícolas por ele colecionadas.

Outro aspecto interessante de suas atividades, é o fato de que, como colecionador tinha discernimento dos exemplares que já figuravam em sua coleção, sendo pouco comuns os casos de repetição de espécies. Fica nítido, com isso, que interessava-se em organizar uma coleção representativa e sinóptica da avifauna paranaense.

Além das já citadas incursões nos arredores de Vera Guarani, Chrostowski também organizou uma viagem mais longa, dessa vez ao longo do Rio Ivaí. O ponto final desse percurso não é bem aceitável pelas informações apresentadas por ele próprio (Chrostowski, 1912): “…i znajdujaca sie w odleglosci 350 kilometrów na N.N.W. od Vera Guarany” (ou, no resumo em francês: “qui se trouve à 350 kilomètres de Vera Guarany à N.N.W”). A dúvida criada, deve-se à improbabilidade de ter percorrido um trecho tão extenso em tempo demasiado exíguo para as dificuldades de uma incursão desse tipo. Desse ponto retornou a Vera Guarani em fins de janeiro de 1911, onde permaneceu em atividade até outubro, mês de seu retorno à Polônia.

Suas atividades ornitológicas, representadas por coletas, não foram muito significativas se confrontadas com o período em que residiu no Paraná ou mesmo se comparadas com outros naturalistas contemporâneos. Nessa sua primeira expedição, que durou um ano e três meses, Chrostowski coletou nem ao menos três centenas de exemplares de 100 espécies e em nenhuma data obteve mais do que seis espécimes por dia, inclusive em regiões para as quais teria empreendido expedições especiais. Foram precisamente 504 espécimes obtidos em 1910 e 45 espécimes em 1911 (M.Luniak, 2001, in litt.).

Aparentemente, o que pode ser explicado pela excursão ao Rio Ivaí, Chrostowski estaria fazendo viagens de reconhecimento ao redor (e também bastante distantes) de Vera Guarani. Isso, seria a forma de concretizar seu projeto para uma grande expedição ao Paraná, percorrendo toda sua extensão, de leste a oeste,  tal como viabilizou-se dez anos depois.

"Droga do Kurytyby" (Estrada para Curitiba), fotografia que ilustra o livro "Parana: wspomnienia z pdrózy w roku 1914." de T.Chrostowski (Fonte: Chrostowski, 1922).

A confirmação do que fôra apresentado anteriormente, é a espera do naturalista polonês pelo seu retorno ao Paraná, tão logo chegou à Polônia. Naquele país, encontrou um emprego “Droga do Kurytyby” (Estrada para Curitiba), fotografia que ilustra o livro “Parana: wspomnienia z pdrózy w roku 1914.” de T.Chrostowski (Fonte: Chrostowski, 1922).qualquer, sem correlação com a Ornitologia, trabalhando eventualmente como voluntário no tradicional Museu Branicki, instituição criada pelos irmãos Konstanty e Alexandre Branicki e depois absorvida pelo Museu de Varsóvia, em 1919 (Sztolcman, 1921).

Segundo Wachowicz (1994), seu desejo de voltar ao sul do Brasil dependia da sensibilização de alguma instituição que financiasse seu projeto científico. Ao mesmo tempo, ?era-lhe muito difícil aceitar o fato de a família Branicki não seguir mais os ideais dos antepassados. Relegaram o Museu [de História] Natural da família a segundo plano e gastavam seu dinheiro em festas, com ares de aristocratas em Paris? (Wachowicz, 1994).

Por fim, foi do Zoologischen Staatssammlung München (Museu de Zoologia de Munique, Alemanha), por intermédio do afamado ornitólogo Charles E. Hellmayr que veio o apoio financeiro para a nova incursão. A proposta de trabalho visava o re¬descobrimento de certas espécies típicas do planalto meridional brasileiro e apenas conhecidas por exemplares únicos ou em duplicata, obtidos por naturalistas antigos, como Auguste de Saint-Hilaire, Johann Natterer e Hermann von Ihering. Tais espécies, típicas das florestas frias do planalto meridional brasileiro, eram ainda pouco representadas em coleções, sendo que outros esforços no sentido de reencontrá-las chegaram a ser movidos por vários outros naturalistas, dentre eles o famoso Ernst Garbe, naturalista-viajante do Museu Paulista (Pinto, 1945). Dessa forma, a segunda expedição de Chrostowski, iniciada em meados de 1913, parece ter sido calcada nesse mesmo objetivo.

Hellmayr costumava publicar sobre material coletado por naturalistas no Brasil e depositados em vários museus do mundo. Entre 1903 e 1910 foram várias as coleções estudadas, dentre elas as de Alphonse Robert e Ferdinand Schwanda.

O percurso de Chrostowski englobou uma pequena região do centro-leste paranaense e teve a curtíssima duração de pouco mais de um ano. Fôra, na verdade, interrompida pela Primeira Grande Guerra, a qual, não apenas forçava a presença de Chrostowski na Europa como, principalmente, impossibilitou toda e qualquer comunicação com Hellmayr.

O itinerário desta sua segunda expedição ao Paraná não é linear, sendo mais coerente admitir que o viajante, após um pequeno período na Colônia Afonso Pena, hoje em São José dos Pinhais, estabeleceu-se em Antônio Olinto, tendo a partir dali empreendido várias incursões para os arredores, tal como sucedeu-se na primeira de suas expedições. Nessa localidade, onde viveu por vários meses, teria organizado dez excursões com 12 quilômetros cada uma (Wachowicz, 1994), dentre elas a cidade de Rio Negro e a confluência do Rio Negro com o Rio Iguaçu (hoje no município de São Mateus do Sul).

Não é possível, sem uma análise detalhada dos espécimes e respectivas datas de coleta, uma reconstrução de sua jornada ao Paraná. Apesar desse image02problema, três localidades são integralmente referendadas pelo próprio Chrostowski no breve gazetteer de um artigo subsequente (Chrostowski, 1921): ?Affonso Penna?, ?Sâo Lourenço?, ?Antonio Olyntho? e ?Terra Vermelha?, no qual não consta, ainda, a localidade de Curitiba, que também fôra visitada (Jaczewski, 1924; Sztolcman, 1926).

É interessante notar, que essa região em que Chrostowski trabalhou, coincidiu geografica e cronologicamente com o período mais sangrento da ?Revolta do Contestado?, uma das maiores guerras civis já presenciadas no Brasil. Essa insurreição, surgida de uma série de disputas territoriais, teve origem relacionada com a colonização estrangeira do sul do Brasil e com um panorama social precário, repetição sulina do coronelismo e da reação ao apoio governamental à instalação de multinacionais, especialmente inglesas (Santa Catarina, 1987).

Algumas localidades de coleta visitadas por Chrostowski, eram efetivamente pontos-chave de resistência dos revoltosos, dentre as quais ?Rio Paciência?, atualmente em Santa Catarina (Carvalho, 1914).

Do material obtido por Chrostowski na segunda viagem, pouco pôde ser apurado que não a abstração de seu destino. Uma parte encontra-se de fato no Museu de Varsóvia, mas é possível que hajam espécimes em Munique. É certo, entretanto, que não há um espécime sequer coletado por Chrostowski no Field Museum of Natural History de Chicago (D.Willard, 2001 com.pess.), instituição que absorveu Charles Hellmayr em setembro de 1922 (Zimmer, 1944). Tal como documentado por T.Jaczewski (1924), o apoio oferecido por Hellmayr previa, em troca, a cessão de duplicatas, deixando claro, portanto, que a maioria dos espécimes tivessem sido destinados mesmo para Varsóvia.

Sobre as espécies obtidas, pode-se admitir que alguns táxons colecionados, e estudados com minúcias por Chrostowski (1921), podem permanecer até os dias de hoje escassos em coleções zoológicas de todo o mundo, amplificando o valor dessa contribuição da segunda expedição ao Paraná.

Terceira expedição (1921-1924)

São vários os motivos, além do grande interesse pela avifauna sul-brasileira,  que estimularam Chrostowski a realizar a sua terceira expedição ao Paraná, certamente a maior e mais longa viagem ornitológica já realizada ao Estado em todos os tempos.

Embora isolado do mundo científico pelas condições políticas de uma Polônia espoliada e partilhada pela Rússia, Prússia e Áustria, Chrostowski mantinha contato estreito com pesquisadores de renome na Ornitologia contemporânea, destacando-se Hermann von Ihering e Emilie Snethlage, bem como Ernst Hartert do Museu Britânico e, principalmente, Charles E.Hellmayr.

Mapa original da Terceira Expedição Chrostowski ao Paraná (1921-1924), encartado no artigo da Tadeusz Jaczewski (Fonte: Jaczewski, 1925)

A situação financeira da Polônia, tal como vários outros países centro-europeus, encontrava-se muito deteriorada. Sua soberania Mapa original da Terceira Expedição Chrostowski ao Paraná (1921-1924), encartado no artigo da Tadeusz Jaczewski (Fonte: Jaczewski, 1925).nacional encontrava-se seriamente contestada por países mais ricos, como a Alemanha, que a considerava um país artificial, produto de uma Entente Kleinsthat (entendimento de Estados) (Lepecki, 1962). Desse tipo de mentalidade preconceituosa, inclusive, surgiram críticas à expedição, sobre as quais chegou-se a fantasiar interesses secretos da Polônia, uma vez que, ?de pesquisa biológica o Brasil não precisava mais, pois já estava suficientemente estudado por cientistas alemães e de outras nacionalidades? (Lepecki, 1962 traduzida por Wachowicz, 1994).

Com a restauração do Estado polonês, em 1919, a reformulação do Museu de Varsóvia por força de decretos federais foi decisiva, com o estabelecimento do Departamento de Zoologia junto ao Museu Nacional de História Natural. Assim, maior parte das coleções do Gabinete de Zoologia da Universidade de Varsóvia, bem como a biblioteca do famoso Museu Branicki passaram a integrar o acervo, basicamente por iniciativa de Janusz W. Domaniewski, Benedykt T.Dybowski e Michal Marian Siedlecki (Sztolcman, 1921; Kazubski, 1996).

A partir de 1919 (e até 1939), o museu polonês organizou numerosas expedições científicas para localidades bastante distantes como o México, Egito, Madagascar e, ainda como parte de cruzeiros marítimos ao longo do Oceano Atlântico (Kazubski, 1996).

Foi após cansativas preparações ocorridas durante o ano de 1921, que Chrostowski conseguiu organizar a viagem que teria sido, por muito tempo, seu principal objetivo de trabalho. Ele já era, naquele tempo, o  responsável pela seção de aves neotropicais do Museu. Essa posição, associada à persistência de seus executores e à interferência de um patriotismo fervoroso, serviu decisivamente para viabilizar aquela que seria a primeira missão científica a regiões tropicais desde a independência da Polônia.

Os fundos para tanto, custeados em parte pelo governo polonês, foram completados pelo próprio Chrostowski e por iniciativa de colegas do Museu Polonês, interessados no sucesso da empreitada. Não à toa, incluiu-se ao objetivo geral da viagem, a obtenção de amostras de vários outros organismos, como insetos, moluscos, miriápodos e endoparasitas (Jaczewski, 1925): os pesquisadores poloneses mostravam nítido interesse em ter acesso a material do sul do Brasil para seus estudos.

Não obstante tais dificuldades, iniciou-se enfim, a terceira expedição de Chrostowski, contando com a colaboração de seus dois auxiliares, Stanilaw Borecki e Tadeusz Jaczewski, partindo de Varsóvia, a bordo do navio francês Garrona, em 4 de dezembro de 1921. Após rápidas paradas em Bordeaux (França), Virgo (Espanha), Leixões, Lisboa (Portugal) e Dakar (Senegal), sem possibilidade de obter espécimes, deram à costa brasileira. Chegaram no Brasil em Salvador (?Bahia?), seguindo para o ?Rio de Janeiro? de onde, após as necessárias preparações, tomaram o trem até ?Marechal Mallet? (hoje Mallet), no sul do Paraná (Jaczewski, 1925).

É interessante notar que, já no Paraná, Chrostowski e seus companheiros forçaram as estadas em propriedades rurais de imigrantes poloneses, abundantes naquela época, com destaque para o sul do Estado. É por esse motivo, naturalmente, que essa região contém tantos topônimos de coleta, ao contrário dos demais, ao longo dos rios Ivaí e Paraná; nesses, a expedição parecia, por falta de opção de hospedagem, se fixar por mais tempo em acampamentos ou colônias bem estabelecidos.

Sobre esse procedimentos e as possibilidades de transporte, relata Jaczewski (1925):

“The whole first period of the march of the expedition, which began with the departure from Marechal Mallet and lasted untill the arrival to the Salto de Ubá on the upper Ivahy, was accomplished by short, mostly one day long courses. At various localities which were passed, the expedition stopped, usually for a period of some two to four weeks, devoting this time for making collections. As transport means were used mules, rarely cars, as the itinerary lay chiefly across rather thinly populated regions, having almost no land roads suiutable for car-traveling” (Jaczewski, 1925:329).

Mallet, um pequeno núcleo municipal e importante centro da colonização polonesa no sul do Brasil foi, então, a partir de 2 de fevereiro do ano seguinte, a localidade de coleta de vários espécimes que marcaram o início da expedição. Fôra o ponto inicial de uma impressionante jornada pelo interior paranaense, estendida por três anos ininterruptos, durante os quais foram visitadas quase meia centena de localidades visitadas.

A viagem, que somou quase 1500 quilômetros de percurso fluvial e terrestre, gerou um acervo com cerca de 260 espécies e subespécies de aves, tem sido considerada a mais importante atividade de coleta de aves no Paraná deste século, granjeando a Chrostowski o merecido título de patrono da Ornitologia paranaense (Straube, 1993d).

Para maiores detalhes sobre as expedições, localidades de coleta e inclusive aspectos biográficos dos naturalistas poloneses no Paraná veja-se principalmente Jaczewski (1925), além de Sztolcman (1926a), Domaniewski (1925), Brzek (1959), Straube (1990d, 1993b, 1993c) e Wachowicz (1994).

O itinerário percorrido, pode ser resumido em seis partes, definidas pela fitofisionomia e características fisiográficas regionais e pelas atividades de coleta ornitológica: 1º parte: propriedades rurais de imigrantes poloneses na região centro¬sudeste até as nascentes do Rio Ivaí, na localidade de Tereza Cristina onde inicia a transição fitogeográfica com as florestas estacionais; 2º parte: vale do Rio Ivaí até aproximadamente a Corredeira do Ferro, onde predomina a floresta estacional semidecidual do planalto paranaense; 3º parte: dessa cachoeira ate a foz do Rio Ivaí cuja paisagem, assentada sobre o Arenito Caiuá, modifica-se gradativamente até atingir a fisionomia de uma mata mais seca, com eventuais representações de várzeas e campos de inundação; 4º parte: vale do Rio Paraná desde a latitude 24ºS, aproximadamente coincidente com o Trópico de Capricórnio até a foz do Rio Iguaçu, margeado por florestas estacionais e brejos sazonais; 5º parte: região onde atualmente situa-se o Parque Nacional do Iguaçu, desde a cidade de Foz do Iguaçu até a localidade de Pinheirinho, local de falecimento de Chrostowski e onde a expedição praticamente cessou as coletas de aves; 6º parte: travessia de oeste a leste de todo o território paranaense, deixando a floresta estacional típica do Parque Nacional do Iguaçu e passando por vários tipos vegetacionais, desde o planalto (matas de araucária e campos) até a Serra do Mar (mata atlântica serrana) e a porção do litoral (mata atlântica da planície quaternária).

Dentre o material obtido, que constitui uma cifra impressionante não apenas pela qualidade como pela representatividade, pode-se destacar algumas espécies, reconhecidamente interessantes à Ornitologia do Paraná e de todo o Brasil. Enquadra¬se, por exemplo, a rara espécie conhecida popularmente como “jacutinga” que já naquela época começava a escassear, inclusive em regiões onde fôra especialmente abundante como o vale do Rio Ivaí.

Igualmente importantes são muitas outras menções, que consistem nas únicas (ou dentre poucas) indicações de ocorrência em todo o Estado (Scherer-Neto e Straube, 1995) e mesmo espécies raras ou pouco conhecidas em todo o território nacional (Sick, 1997).

O LEGADO POLONÊS À HISTÓRIA NATURAL NO BRASIL

Sztolcman e o “Ptaki zebrane w Paranie”

Não obstante as três expedições lideradas por T.Chrostowski possam ser consideradas a contribuição polonesa mais relevante à Zoologia no Brasil em todos os tempos, a última publicação versando sobre as aves incluídas nesse material apareceu em 1926. Foi a detalhada revisão dos espécimes ornitológicos obtidos, que ficou ao encargo de Jan Sztolcman. Essa é considerada atualmente uma obra indispensável para a Ornitologia do sul do Brasil (Scherer-Neto e Straube, 1995; Sick, 1997). Menções subsequentes a exemplares e localidades de registro, costumeiramente submetem a citação a esse trabalho (v. Pinto, 1938, 1944), mas de forma esparsa e deixando claro que o material não fôra novamente estudado com o detalhamento necessário.

Sztolcman (1854-1928), polonês de Varsóvia, iniciou sua vasta produção científica (constam 362 títulos de sua autoria, publicados entre 1876 e 1928) como auxiliar do famoso Wladyslaw Taczanowski (1819-1890), junto ao Museu de Zoologia de Varsóvia (Domaniewski, 1928). Seu interesse voltava-se claramente ao estudo de coleções de aves neotropicais, particularmente amazônicas, tornando-se bastante conhecido por sua contribuição à ornitologia do Peru e do Equador. Destacou-se no estudo de material de outras regiões, como o norte da África, a região do Cáucaso eparte da Ásia central e ocidental. Em 1887, assumiu o posto de diretor do Museu Branicki, estando inclusive presente nas negociações de doação desse acervo, que era particular, para o Estado polonês (Kazubski, 1996).

Sistemata criterioso, foi autor de 160 táxons de aves tidos como novos, em co¬autoria com o Conde von Berlepsch e Janusz Domaniewski; além disso, mais de 20 espécies e subespécies foram batizadas em sua homenagem (Domaniewski, 1928), dentre elas um pássaro amazônico que acabou denominado Tyranneutes stolzmanni. Outras linhas de interesse do pesquisador incluíam a divulgação científica e a tradução de livros voltados à História Natural.

Deve-se a Sztolcman o único catálogo disponível sobre o material ornitológico coletado pela Expedição Polonesa de 1921-1924 (Sztolcman, 1926a), incluindo números e localidades de espécimes, bem como anotações de campo adicionais, originadas das observações de Chrostowski. Essas últimas informações revestem-se de fundamental importância, uma vez que, não era costume, na Ornitologia brasileira, a preocupação em adicionar, com o devido critério, dados de colorido de partes não-emplumadas (bico, tarsos, etc.), bem como conteúdo estomacal e comentários sobre o hábito das espécies.

Constam, na referida obra, um total de 262 espécies que representa um salto considerável naquilo que era conhecido da avifauna do Paraná. Naquela época, os únicos estudos disponíveis estavam obscuramente depositados em coleções de outros museus da Europa ou parcialmente publicados, como parte de acervos mais amplos, obtidos em diversas outras regiões do Brasil. Das publicações ornitológicas de fato, que ao menos citassem o Estado do Paraná, pode-se mencionar apenas Pelzeln (1871) e o próprio artigo de Chrostowski (1912) referente à sua primeira viagem.

Embora considerada obra de consulta obrigatória em estudos ornitológicos paranaenses, esse trabalho merece revisão, não apenas das identificações como dos pretensos novas espécies por ele propostas. Sztolcman tem sido criticado basicamente por identificações visivelmente duvidosas, algumas delas assumidas pelo próprio autor, com o nome científico precedido por um sinal de interrogação. Adicionalmente, todas as aves paranaenses, por ele descritos como novas (25 ao total), foram sinonimizados ou aguardam re-análise, mas, de qualquer forma, mostrando-se pouco sustentáveis. Falhava também no cuidado em definir os tipos das espécies descritas, indicando implicitamente ou vagamente no texto, ainda que procedesse uma tentativa posterior em corrigir esse descuido (Sztolcman e Domaniewski, 1927).

De qualquer forma, a sua valiosa contribuição à Ornitologia paranaense inclui informações de enorme utilidade para todos os estudos sobre composição da avifauna estadual que se seguiram. Dentre esses dados, estão aqueles relativos a espécies nunca mais encontradas ou extremamente raras, mas também sobre todo o panorama da avifauna, que jamais poderá ser resgatado sem um estudo como esse. Em parte, Sztolcman cumpriu, nas devidas proporções, os objetivos do próprio Chrostowski, divulgando o magnífico acervo obtido no Paraná.

A contribuição polonesa às ciências naturais no Paraná

A primeira década deste século, particularmente o ano de 1910, pode ser considerada como o período mais importante dentre toda a contribuição de naturalistas estrangeiros ao Paraná. Tratou-se da época em que se concentraram os esforços oriundos de oito expedições científicas organizadas por poloneses ao Paraná, todas entre a última década do século passado e o ano de 1934 (Wachowicz 1994). Três delas ficaram ao encargo do naturalista Tadeusz Chrostowski, as quais incluem-se entre as contribuições mais importantes à Ornitologia do sul do Brasil até a década de 20.

Curitiba, nas primeiras décadas deste século, representante política do Estado do Paraná, apresentava inúmeras dificuldades para iniciativas científicas, vivendo basicamente do reflexo intelectual das grandes metrópoles brasileiras como Rio de Janeiro e São Paulo (Fernandes e Nunes 1956). Assim, o valioso legado dessas três expedições representa muito mais que a obtenção de informações regionais sobre aves silvestres paranaenses, pois permitiu a formação de um banco de dados impossível de ser obtido pelo esforço oficial local.

Apesar de sua inegável importância, os resultados ornitológicos (e também de outros campos, como a Entomologia e Malacologia) das expedições polonesas, não receberam o devido mérito em obras sobre História da Zoologia (Straube 1993; Nomura 1995), muito embora se tratassem de contribuições obtidas em uma região geograficamente intermediária entre estados melhor estudados como São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Surgiram artigos pouco conhecidos, quase uma dezena de publicações referentes ao material coletado, não apenas sobre aves mas também moluscos e insetos, especialidade maior de Jaczewski (Chrostowski, 1921; Jaczewski, 1927, 1928a, 1928b, 1928c; Domaniewski, 1925, 1929; Sztolcman & Domaniewski, 1927; Roszkowski, 1927; Tenembaum, 1927; McAtee e Malloch, 1928), bem como plantas, rochas e artefatos etnográficos (Kazubski, 1996).

É de se lastimar que até hoje não se tenha prestado o devido reconhecimento a toda essa produção zoológica, já que as mesmas permanecem ignoradas em quase todos os levantamentos históricos da Ornitologia no Brasil (vide Neiva, 1929; Mello-Leitão, 1937, 1941; Papávero, 1971; Pinto, 1979; Hershkovitz, 1987); foi apenas a partir de meados desta década, que começaram a ser citados em alguns compêndios modernos (Nomura, 1995; Sick, 1997).

Isso ocorreu certamente pela pequena tradição da coleção na qual os espécimes foram depositados (na época, Museu Polonês de História Natural de Varsóvia, denominação mantida até 1952), associada à dificuldade de acesso ao material, em decorrência de rivalidades políticas entre nações e também pela pequena distribuição dos periódicos científicos nos quais partes dos resultados foram divulgados. A revista científica mais utilizada para divulgação dos resultados das expedições polonesas era o “Annales Zoologici Musei Polonici Historiae Naturalis”, aparecido apenas em 1921, quando da criação de um escritório gráfico próprio do Museu, por esforço de seu então diretor Antoni Jozéf Wagner (Kazubski, 1996).

Esse panorama de desconhecimento estende-se até a atualidade, sendo muito raras as menções a pesquisadores poloneses de renome como Jelski, Przewalski, Branicki, Taczanowski, Sztolcman, Warszawiecz, Kalinowski e Szyslo em obras históricas clássicas contemporâneas.

Não há como deixar de mencionar, ainda, a contribuição de vários outros poloneses contemporâneos de Chrostowski que, embora estabelecidos no Paraná e regiões limítrofes, mantinham intenso contacto com os museus da Polônia e também de outros países, remetendo espécimens de aves e vários outros grupos zoológicos.

É o caso de Jósef Siemiradzki e seus exemplares obtidos em São Mateus do Sul e na Colônia Afonso Pena, Robert Wierzejski em Itaiópolis (Santa Catarina), Józef Czaki em Araucária, A.Brückner em Joinville (Santa Catarina),  W.Rodziewski, W.Szukiewski e Szymon Tenenbaum (este também em Morretes, em agosto de 1923; vide Kremky, 1925:186) em Curitiba, além de B.Srzednicki na região de Cândido de Abreu (Rio Ubazinho, Colônia Teresa Cristina e Rio Baile) (Sztolcman 1926a, 1926b, Kremky 1925, Roszkowski, 1927, Tenenbaum, 1927).

Consta haver ocorrido, no ano de 1929, uma expedição para as “regiões oestes do Paraná”, por intermédio do cronista e naturalista polonês Arkady Fiedler. Ele teria levado várias caixas de aves, mamíferos e répteis para o Museu de História Natural de Poznan, com o endosso do então diretor do Museu Paranaense, Rubens Assumpção (Museu Paranaense, 1929: no documento original, consta Adam Fiedler, por certo um equívoco). Segundo consta, Fiedler teria vindo ao Paraná “…para continuar as pesquisas ornitológicas do Dr.Chrostowski, interrompidas pela morte desse naturalista” (Kawka, 2000).

Sabe-se também de uma coleção de insetos (aparentemente obtida em Araucária, próxima a Curitiba), contendo cerca de 30 000 espécimes, dos quais mais de 10 000 lepidópteros, doada pessoalmente por J.Czáki ao Museu de Varsóvia, e que fôra trazido em mãos por T.Jaczewski, durante a terceira expedição ao Paraná (Kazubski, 1996).

Como pode-se perceber todo esse intercâmbio foi bastante destacado no reconhecimento a Tadeusz, conferido com menções em obras de história da Zoologia polonesa (Brzek 1959) e mesmo epônimos de aves tidas como novas para a ciência (Sztolcman 1926a, 1926b).

Tais informações somam-se às apresentadas por Jaczewski (1925:351), relacionadas não apenas com a participação de terceiros no material obtido, mas também nas notas adicionais sobre o transporte dos espécimes a partir do Porto de Paranaguá rumo à Polônia:

“Here [Curitiba] I had still much work with final packing of the collections and with different formalities connected with their forwarding to Europe. Besides that I was collecting in the neighbourhoods of the town, especially at a place called Bacachery. At last on October 13-th, 1923, all the collections of the expedition together with those presented to our Museum by Dr.J.Czaki and by several other persons, were loaded at Paranaguá on obard of the Polish training ship ‘Lwów’ sailing to Europe. I left Brazil only on Febr. 26-th, 1924, from Santos on board of the Dutch s.s. ‘Gelria’ and arrived at Warsaw on March 18-th, 1924. All the collections brought form part of the scientific materials of the Polish Museum of Natural History at Warsaw, and a great part of them is at present being studied”.

O estado atual da “Coleção Chrostowski”

Atualmente, pouquíssimo pôde ser levantado sobre as condições do material ornitológico e mesmo zoo-botânico, etnográfico e mineralógico do trabalho dos naturalistas poloneses no Paraná. Maior parte dos espécimes ornitológicos encontra-se estacionária, sem uso ou estudo e mantida provisoriamente meio ao volumoso acervo neotropical do Museu e Instituto de Zoologia da Academia Polonesa de Ciências (ou Museu Polonês de História Natural de Varsóvia, designação usada até a década de 20) (M.Luniak per Z.Bochenski, 1990 in litt.).

Deve-se, entretanto, considerar heróico o esforço de muitos dos pesquisadores da instituição (particularmente Tadeusz Jaczewski, Stanislaw Adamczewski e Stanislaw Feliksiak), que puderam proteger ou, em alguns casos (como do material entomológico depois da Segunda Grande Guerra) reconstruir o acervo científico e expositivo destemuseu que data de 1819. É fato conhecido que durante a ocupação alemã da Polônia, exatamente entre 8 e 9 de novembro de 1939, oficiais da SS invadiram o Museu de Varsóvia, saquearam espécimes zoológicos selecionados, assim como vários volumes da biblioteca e equipamentos variados (Kazubski, 1996). Na realidade, embora o governo alemão não apresentasse qualquer interesse no material depositado no Museu até meados da década de 40, passou a considerá-lo alvo estratégico, ateando-lhe fogo por volta de agosto de 1944. Isso ocorreu como retaliação às atividades de resistência de diversos pesquisadores da instituição, ativos do movimento de resistência polonês, que chegaram a armazenar armamentos e explosivos no interior da instituição (Kazubski, 1996).

Assim, fica factível esperar que parte do material obtido no Paraná poderia encontrar-se atualmente, e na melhor das hipóteses, em algum museu alemão ou mesmo em outro país europeu. Tais hipóteses, contudo, poderão apenas ser confirmadas -e o enigma elucidado -quando for possível uma nova revisão do magnífico legado de Chrostowski em vários museus da Europa e mesmo dos Estados Unidos da América, pesquisa esta aguardada desde a publicação de Sztolcman, em 1926.

O acervo mantido em Varsóvia, por sua vez, embora não perfeita e adequadamente conservado, está guardado em um barracão a 30 km de Varsóvia, na cidade de Lomna, sem nenhum pesquisador responsável. Consiste de uma cifra ainda maior do que esperávamos; trata-se, a coleção Chrostowski ali mantida, de 1597 exemplares, de 387 espécies e subespécies, coletados entre 1910 e 1923 (M.Luniak, 2001 in litt.).

Agradecimentos: Dante M.Teixeira e Marcos R.Bornschein participaram diretamente da concepção deste estudo, fornecendo dados e colaborando intensamente na pesquisa toponímica e zoológica. Pedro Scherer-Neto, sempre orientador, colaborou com o entusiasmo pela divulgação desses resultados e com várias informações aqui contidas. Também contribuíram de forma significativa: Amazonas Chagas-Junior, Renato S.Bérnils, Paulo H.Labiak, Juliana Quadros, Liliani M.Tiepolo, Paulo R.Pagliosa Alves, Sérgio A.A.Morato, Angelica K.Uejima, Cassiano A.F.R.Gatto, Gledson V.Bianconi, Michel Miretzki, Viviane C.Moniz-Barreto, Marina Anciães, Julio César de Moura-Leite, Silvia R.T.Prado, José Fernando Pacheco, Marcio L.Bittencourt, Aderlene I.Lara, Roberto Bóçon, Mauro Pichorim, Ricardo Krul, Nelson Pérez, Andres Colmán e Rodrigo Lingnau. Pelo envio de material pertinente, devemos citar: Zygmunt Bochenski (Museu e Instituto de Zoologia da Academia Polonesa de Ciências, Varsóvia), Piotr Tryjanowski (Universidade Adam Mickiewicz, Poznán), Malgorzata Filipczak, Marzena Kowalska e Piotr Muras (Universidade Técnica, Lodz), David Willard, Shannon Hackett e John Bates (Field Museum of Natural History, Chicago, EUA), Stefan Wladysiuk e Irene Tomaszewski (Instituto de Artes e Ciências Polonesas no Canadá, Montreal, Canadá), Marek Makowski (Consulado Geral da Polônia em Curitiba), Anna Sokolowska-Gogut (Universidade de Economia, Cracóvia), Matthias Maeuser (Museu de Zoologia, Munique, Alemanha), Wlodzimierz Golab (Universidade de Agricultura, Poznan), Justyna Andrzejczak (Universidade de Educação Física, Poznan), Ewa Szaflarska (Universidade de Minas e Metalurgia, Poznan), Krystyna Baron (Instituto Polonês de Artes e Ciências na América, Nova York, EUA), Piotr Daszkiewicz (Serviço do Patrimônio Histórico, Museu Nacional de História Natural, Paris, França) e Witek Chrostowski (Cracóvia). Pelo relevante apoio, devemos destacar, com muita ênfase, os amigos Grzegorz Kopij (Universidade Nacional de Lesoto) e Maciej Luniak (Academia Polonesa de Ciências, Varsóvia), para os quais dedicamos este estudo.

Mülleriana: Sociedade Fritz Müller de Ciências Naturais. Caixa Postal 1644. Curitiba, PR, Brasil. 80011-970. E-mail: 1. urutau@terra.com.br; 2. neocrex@terra.com.br.

Expedições Zoológicas Polonesas (1910-1924) no Google Earth:

03/06/2009, 15:22 Expedições Polonesas [localidades]

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Palavras-chaveTadeusz Chrostowski;Expedições Zoológicas Polonesas;Fernando Straube.