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06 Setembro
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Reinhard Maack - O Visionário Ambiental

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Reinhard Maack em acampamento na Serra do Mar Paranaense, em 1941,Reinhard Maack nasceu no dia 2 de outubro de 1892 em Herford, Vestfália, na Alemanha, sendo filho do secretário da Estrada de Ferro, Peter Maack, e de sua esposa Karoline, nascida Klinge. Os Maacks descendem dos “Dithmarschen” e pertencem à antiga estirpe portadora de brasões. Os antepassados migraram para Bar­dowick, onde o “Winkelhof” é propriedade da família há muitos séculos. Lá nasceu o pai de Reinhard Maack. Esse passou sua infân­cia em Herford, estudando durante 8 anos na escola pública Wil­helmsplatz. Em 1907 ingressou na tipografia de seu tio Wilhelm Maack em Luedenscheid, a fim de aprender as artes gráficas, cur­sando simultaneamente a escola de gravadores.

Biografia


| O aventureiro Maack | Maack na Primeira Guerra Mundial | A Expedição ao Brandeberg 1917 |
A "Dama Branca" - A incrível decoberta de Maack | Maack no Paraná | Conquista do Pico Paraná |
A injusta prisão de Maack | A Tese da Terra Gondwânica |


Seus interesses, entretanto, conduziram-no a uma profissão dife­rente que lhe proporcionaria conhecer países distantes. Especiali­zou-se em Geodésia no Serviço de Cadastro Prussiano. Após os primeiros anos de aprimoramento, seu temperamento inquieto impe­lia-o para longe. Como o seu requerimento para tomar parte na Expedição Alemã à Antártica dirigida por Wilhelm Filchner fosse indeferido devido a sua pouca idade, ele viajou à África do Sudoeste em maio de 1911, a fim de tentar a sorte.

Foi empregado pelo Serviço Geodésico de Windhoek, capital da Namíbia. A transferência para Samoa requerida pelo diretor de repartição, todavia, não pôde ser realizada em virtude do início da primeira Guerra Mundial.

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:: Wilhelm Filchner

Conseqüentemente, participou da primeira Guerra Mundial nas tropas coloniais da África do Sudoeste até a rendição da pequena companhia restante de 900 armas em Khorab, após ter lutado durante um ano contra 60.000 das tropas anglo-sul-africanas.

Pertenceu ao grupo dos 7 cavalheiros germânicos que tentaram cruzar o continente africano em julho de 1915 para encontrar as tropas de Lettow-Vorbeck na África Oriental. Não cabe aqui entrar em pormenores sobre a aventurosa peregrinação desta fuga. Quatro companheiros foram novamente aprisionados pelos ingleses, sendo Maack impelido com dois camaradas, o sargento Eduard Black e o oficial subalterno David Fritz, para a região norte do deserto de Kalahari. Tentando obter nova roupa e munição, patru­lhas inglesas afugentaram Maack sozinho para a região sul do Kala­hari, onde permaneceu durante 6 meses num solitário olho-d’água em companhia de um Ovambo e um Xosa, perdendo de vista seus companheiros. Somente em 1919 teve oportunidade de reencontrar um deles, E. Brack, diante da Naukluft na Namalândia (Gross-Nama­land). Finalmente, um ferimento obrigou Reinhard Maack a procurar auxílio médico e com o emprestado Parole-Permit sob o pseudônimo de Hans Ritter chegou à Swakopmund. Lá foi atendido pelo médico alemão Dr. Fritz Brenner, o qual tratou do ferimento e da grave lesão cardíaca.


Durante esta permanência em Swakopmund teve opor­tunidade de observar, em companhia de um colega da Sociedade Colonial Alemã A. Hofmann, uma estranha formação que surgia regularmente no horizonte do Oceano Atlântico, medindo as distâncias zenitais. Ambos chegaram à conclusão de que deveria se tratar de uma montanha numa distância de aproximadamente 250 km a nordeste de Swakopmund, sendo registrada nos mapas como montanhas “Messum”. Entretanto, a altitude destas elevações era indicada apenas com 1.100 m, fato este que fez Maack e Hofmann concluírem que na direção de tal formação sobre o horizonte do Atlântico deveria estar o maciço mais elevado da África do Sudoeste. Este só poderia ser uma montanha conhecida naquela região sob o nome de Brandberg. Uma fotografia do Brandberg tirada por Ernst Reuning permitia esta conclusão, tendo sua altitude sido calculada por Hofmann em 3.000 m, baseando-se na distância indicada.

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:: Lettow-Vorbeck

Em Windhoek foi organizada uma pequena expedição a fim de efetuar o levantamento fototrigonométrico da região ao sul do Ugab-Rivier no limite entre o deserto de Namib e da Dornen-Steppe na Damaralândia, verificando-se o Brandberg como a maior elevação da África do Sudoeste. Na primeira tentativa não foi possível atingir o cume principal, razão pela qual Maack organizou no fim do ano de 1917, junto com três companheiros, uma segunda expedição ao Brandberg. Nesta viagem foi concluído o levantamento e pela primeira vez escalado o cume principal da região montanhosa, sendo sua altitude determinada em 2.606 m, reduzida posteriormente a 2.586 m através de medições trigonométricas. O mapa do Brandberg de Hofmann­Maack é ainda hoje considerado como a melhor representação carto­gráfica, indicando mesmo os mais recentes levantamentos fotogramé­tricos apenas pequenas alterações na parte interna do maciço mon­tanhoso, cuja necessidade de correcão fora mencionada por Hoffman-Maack. Na volta desta escalada Maack descobriu uma gruta com afrescos pré-históricos que posteriormente obtiveram grande fama.  

Trata-se da gruta com a “Dama Branca”, sobre a qual especialmente o pesquisador da pré-história Abbé Henri Breuil publicou importantes obras. Com este afresco e muitos outros, descritos por Maack pela primeira vez em 1920, ocuparam-se também os pesquisadores da pré-história Hugo Obermaier, Herbert Kuehn e Leo Frobenius.

No ano de 1919, Maack organizou sua segunda expedição de pesquisa por iniciativa própria, a fim de estudar e levantar cartograficamente o percurso do Tsondab-Rivier no meio do deserto de Namib. Nesta viagem Maack viveu três dias dramáticos, delirando de sede.


Após caminhar inconscientemente, desnudo, arrastando atrás de si a camisa de um hotentote, chegou no fim da quarta noite de sede ao olho-d’água em Ababes, lugar de partida da expedição. Uma turma de salvamento encontrou o hotentote Max sem sentidos a 25 km distante do olho-d’água, conseguindo reanimá-lo: um hotentote e dois cavalos ficaram perdidos nas dunas do Namib. Os resultados da expedição ao Brandberg e da viagem através do deserto de Tson­dab são publicados — 1923 e 1924 — na Revista da Sociedade de Geografia de Berlim.

:: ao lado, H. Obermaier e Abbé Henry Breuil


Por incumbência da Companhia Otavi de Minas e Ferrovias, assim como da Companhia Kaoko de Terras e Minas, Maack em­preendeu no ano de 1920, junto com o engenheiro de medição W. Volkmann, uma viagem prolongada ao Kaokoveld, a fim de medir e pesquisar os direitos de minas com respeito à ocorrência de ouro, ferro e cobre. No término desta viagem Maack, como prisioneiro de guerra fugido, foi finalmente reabilitado junto às autoridades anglo-sul-africanas pelo comissário do governo Dr. Ludwig Kastl, ingressando no British South Africa Survey Service para a África do Sudoeste. a fim de colaborar na transcrição das fazendas alemãs do cadrastro para os títulos de propriedade sul-africanos. Neste período ministrou aulas de matemática e de desenho matemático no ginásio de Windhoek, revisando simultaneamente os resultados das pesqui­sas sobre a arte dos bosquímanos. No ano de 1921 regressou à Alemanha, passando pela África Oriental, Arábia e Síria.

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Já em 1923 Maack chegou ao Brasil como engenheiro de minas para a Companhia de Mineração e Colonização Paranaense, trabalhando no rio Tibagi e no oeste de Minas Gerais até 1926. Em 1927 efetuou para a Companhia Brasileira de Mineração de Carvão de Ferro no Rio de Janeiro o levantamento cartográfico das jazidas de carvão de Cniciúma e da zona de minério de ferro do pico de Itabira do Campo entre Congonhas e Serra da Piedade.

Em 1928 prestou exame vestibular perante o Ministério da Cultura em Berlim, matriculando-se na Faculdade de Filosofia da Universidade Friedrich-Wilhelms, também em Berlim. Cursou duas matérias fundamentais, a saber, Geografia com o Prof. Dr. Norbert Krebs e Geologia, Paleontologia e Mineralogia com os professores Drs. Pompecki, A. Johnsen e Belowsky, assim como Microscopia de Minérios com o Dr. Seiffert. Ao mesmo tempo matriculou-se no curso do Dr. R. Stappenbeck sobre Ciência das Jazidas de Minérios Úteis e do Dr. Paul Range sobre Geografia da África.


Em 1930 Reinhard Maack foi contratado, através da Universidade de Berlim, pela Companhia Agrícola de Mineração e de Estrada de Ferro Monte Alegre para supervisionar, a exploração dos diamantes no rio Tibagi e efetuar a medição deste rio e da Fazenda Monte Alegre. Essa atividade foi suspensa por causa da revolução de 1932 e Maack, auxiliado pela Associação Alemã de Pesquisas, empreendeu viagens particulares de estudo, realizando princi­palmente o levantamento cartográfico do rio Ivaí, em 1934. Após ter adquirido propriedade no Paraná e tê-la administrado durante algum tempo, retornou a Berlim em 1936, concluindo seus estudos em 1937 no Ins­tituto de Geografia e Geologia da Universidade com o Prof. Dr. Norbert Krebs e Prof. Dr. Hans Stille.
:: Exploração de diamente no Rio Tibagi, 1926      

A partir de 1938 até a entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial, Maack desenvolveu suas atividades como procurador especial das firmas Otto Wolf e Deutsche Bahnbau A.G. para exportar minérios de ferro e madeira do Brasil em troca da importação de locomotivas, vagões etc.

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Neste período Maack deu prosseguimento às pesquisas geográfico-geológicas, descobrindo na serra do Mar o ponto orográfico culminante do Estado do Paraná por ele denominado “Pico Paraná” em homenagem a nosso Estado. Constatou que o pico Marumbi com 1.505 m (não 1.810m como era indicado erro­neamente até então não é a maior elevação do Paraná. O “Pico Paraná”, escalado pela primeira vez em 13 de julho de 1941 pelo grupo Maack é com cerca de 1.922 m de altitude a maior elevação do nosso Estado e ao mesmo tempo do Brasil Meridional.

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:: Pico do Paraná em 1941, nome dado por Maack

As pesquisas na serra do Mar e as atividades para as grandes firmas alemãs constituíram o motivo pelo qual Reinhard Maack assim como outros representantes de importantes firmas alemãs e diretores de bancos, foi detido e, depois de seis meses de prisão na Penitenciária de Curitiba, internado na Ilha Grande.

Por iniciativa do benemérito Interventor do Estado do Paraná, sr. Manoel Ribas, Maack foi libertado em 1944, sendo solicitado para colocar os seus conhecimentos à disposição do Estado. Inicialmente trabalhou como geólogo no Museu Paranaense e depois no Instituto de Biologia e Pesquisas Tecnológicas. Em 1946 foi contratado pela Universidade do Paraná como professor de Geologia e Paleontologia e por ocasião da federalização desta Universidade ocupou a cadeira de Geografia Física na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras.

Sendo proprietário de terras desde 1932 e possuindo uma filha brasileira, recebeu em 1949 a cidadania brasileira mediante "Título Declaratório". 

Com a tese sobre a glaciação gondwânica do Carbonífero Superior apresentada à Rheinische Friedrich-Wilhelms-Universitaet de Bonn, Reinhard Maack recebeu o título de Dr. Rer. Nat. com o predicado “Eximia”. Seus trabalhos científicos constam na bibliografia. Suas pesquisas científicas concentravam-se principalmente nos problemas sobre a Terra de Gondwana e as ligações entre a África e América do Sul. Para pesquisar estes problemas, Reinhard Maack empreendeu inúmeras grandes expedições, sendo em 1950 através da Argentina, Patagônia e dos Andes Meridionais e em 1952 através da Tunísia e Sahara central. A seguir Maack, como delegado do Estado do Paraná e da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade Federal do Paraná, participou do XIX Congresso Internacional de Geologia em Argel. Tomou parte no XX Con­gresso Internacional de Geologia no México, também como representante da Universidade Federal do Paraná, após ter participado no Congresso Internacional dos Geógrafos no Rio de Janeiro. Excursionou pelo Texas, Novo México e Arizona até ao Gran Canion, voando de Los Angeles via Canadá para a Groenlândia. Passando por Copenhague, regressou à Alemanha em outubro de 1956 para tomar parte nas comemorações do 80o. aniversário de seu professor Dr. Hans Stille em Hannover. Em 1957 viajou pela África do Sul, do Zambeze ao Cabo da Boa Esperança, desde Natal à África do Sudoeste. Nesta expedição Maack achou a rocha mater do material impelido que ocorre como elemento estranho nos tilitos do Brasil Meridional. De seus estudos concluiu que o Oceano Atlântico não poderia ter existido até o Mesozóico Médio.


Como representante da Universidade Federal do Paraná Maack tomou parte em 1959 nos festejos de Humboldt em Berlim. Nesta oportunidade lhe foi conferida a medalha de prata Karl Ritter em reconhecimento por seus trabalhos de pesquisas na África e América do Sul, após ter sido nomeado membro honorário por ocasião das comemorações do 125o. ano de fundação da Associação de Geografia de Berlim. Maack não se fez apenas merecedor pela riqueza de suas pesquisas no ramo da Geografia e Geologia, mas também por seu profundo interesse nos problemas do desenfreado desmatamento do Estado do Paraná e das conseqüentes modificações do ciclo hídrico. Foi o primeiro a chamar a atenção para a alteração do clima no Paraná desde o Pleistoceno, advertindo desde 1953 sobre os perigos da erosão dos solos.


Em 1959 e 1960 Maack viajou para a Islândia, Spitzbergen e através da Noruega, participando em seguida do XXI Congresso Internacional de Copenhague. Durante a excursão em Spitzbergen.

Maack sofreu uma queda perigosa no morro do Congresso, no cabo Wyk, resultando uma séria artrose nos ossos da bacia ilíaca, da qual jamais se recuperou. Apesar do acidente sofrido, dirigiu-se imediatamente após o congresso para Nairobi, empreendendo durante os meses de setembro e outubro uma expedição ao Kilimandjaro, à região dos “Graben” na África Oriental, ao planalto das crateras gi­gantes (“Riesenkrater”) e a Serengeti. Em meados de outubro de 1960 Maack encontrou-se com o Dr. Henno Marlin em Windhoek, o qual já havia preparado a excursão previamente planejada ao Kao­koveld. O relatório desta viagem foi publicado num fascículo especial da sessão relativa às pesquisas da África em Berlim.

Da África do Sudoeste, Maack dirigiu-se mais uma vez à Transvaal e ao Oranje, voando em dezembro de 1960 para Leopoldville no Congo, onde chegou em pleno caos das lutas pela libertação. Um avião transportou-o para Gana, possibilitando-lhe uma viagem pela Libéria, antes de retornar ao Brasil.

É membro da Deutsche Geologische Gesellschaft, da America Geographical Society de Nova Iorque, da Sociedade dos Geólogos Brasileiros e da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência.

Para o Estado do Paraná tomou parte nas seguintes comissões:

Comissão para a Defesa do Patrimônio Natural do Paraná, Comissão de Estudos para Defesa contra Geadas, Comissão para o Combate a erosão no Paraná e Comissão Executiva do Plano de Industrialização cio Xisto Pirobetuminoso. O Estado do Parana deve a Maack o seu primeiro mapa fitogeográfico que exibe também as áreas de matas secundárias até 1955, e o mapa geológico de 1953, edição comemorativa para os festejos do Centenário da Emancipação Política do Estado do Paraná.

Em 1961 Maack viajou cm companhia de seu genro, de um perito em linguagem indígena e de um famoso cinegrafista para a região da mata virgem pluvial-tropical da serra dos Dourados entre os rios Ivaí e Piqueri. Sobre esta viagem a uma tribo recém-descoberta de índios denominados Xetá, vivendo ainda na Idade da Pedra, Maack publicou interessantes acontecimentos na revista Kosmos do ano de 1962. O contato destes indígenas com a civilizaçao moderna representou simultaneamente o dramático fim desta reduzidia tribo. Em 19 de dezembro de 1962, o Magnífico Reitor Prof. Flávio Suplicy de Lacerda concedeu a Maack a medalha de bronze comemorativa do Cinqüentenário de Fundação da Universidade do Paraná.

Como representante do Governo do Estado do Paraná e da Universidade Federal do Paraná, Maack participou do XXII Congresso Internacional de Geologia realizado em dezembro de 1964 em Nova Delhi na Índia, no qual tornaram parte cerca de 2.000 geólogos.

Através de inúmeras excursões teve a oportunidade de conhe­cer a fundo este país repleto misticismo, onde o esplendor da riqueza e a miséria se defrontam face a face. Voou para Calcutá, viajou a Banaras-Varanasi, onde num passeio de barco viu no fa­moso Ganges o maravilhoso nascer do sol e a afluência dos hindus aos “ghats” (escadaria de pedras que margem o rio a fim de tomarem seu banho diário no rio sagrado. Em Sarnath visitou, além do museu, a árvore sagrada Bodhi, sob a qual se iluminava a mente, de Buda, predicando pela primeira vez na antiquíssima torre chamada Dhamekh-Stupa. Entretanto, um dos acontecimenos mais impressionantes foi a viagem de jipe de Bagdogra e Darjeeling, cognominada rainha do Himalaia. Ao contemplar a magia de luz e cores que cintilam ao amanhecer na imponente cordilheira principal, onde se eleva o monte Everest com 8.882 m de altitude, Maack sentiu a mais profunda emoção e nenhuma palavra profana perturbou o silêncio festivo. Após o Congresso Internacional em Nova Delhi, onde Maack encontrou-se com sua esposa, empreendeu uma segunda excursão a Pachmarhi, Katni, Allahabad, Kanpur e Agra, onde admirou a maravilhosa e mundialmente famosa Taj Mahal, que representa a expressão máxima da cultura e arquitetura árabe, podendo ser consi­derada, ao lado das catedrais góticas da Europa, a mais bela obra do universo.

Em janeiro de 1965, após uma rápida estada em Karachi, Maack voou para Cairo, estudando no Egito as antigas esculturas em relevo e pinturas de tipos egípicos. Visitou Ménfis, Sakara, o famoso Museu Egípcio de Cairo, as pirâmides, assim como a Esfinge de Gisé, encontrando importantes elementos de comparação com os afrescos da África do Sudoeste.

Em companhia de um grupo de engenheiros do Instituto de Engenharia do Paraná, Reinhard Maack voou em setembro de 1965 via Cuiabá para Manaus. Após diversas excursões pela exuberante floresta amazônica, a hiléia, Maack navegou pelos grandiosos cur­sos fluviais do rio Solimões, rio Negro e Amazonas (com 5.800 km de extensão, o terceiro rio da Terra), descendo o mesmo até Belém do Pará após uma rápida parada em Santarém, na foz do rio Tapajós. Excursionou através do Estado do Pará, chegando a Salinópolis no litoral do Oceano Atlântico. Dirigiu-se a Brasília, situada nos Campos Cerrados do planalto central de Goiás.

Em 30 de setembro de 1967 Maack viajou à Argentina para tomar parte no Simpósio Internacional sobre Estratigrafia e Paleontologia de Gondwana em Mar del Plata. No dia 14 de outubro voou para Montevidéu, a fim de participar do Simpósio Internacional sobre o Drift Continental, apresentando a tese sobre “Continental Drift and Geology of the Southern Atlantic Ocean”.

Em 30 de outubro de 1967, os geólogos brasileiros reuniram-se em Curitiba para realizar o XXI Congresso Brasileiro de Geologia e em sessão solene foi conferida a Reinhard Maack a medalha de ouro “José Bonifácio de Andrada e Silva” pelo Dr. Viktor Leinz, em nome da Sociedade Brasileira de Geologia.

Maack representou em 1968 o Instituto de Biologia e Pesqui­sas Tecnológicas e a Universidade Federal do Paraná no XXIII Congresso Internacional de Geologia em Praga na Checoslováquia. Antes do Congresso Maack tomou parte nas excursões de 8 a 16 de agosto ao Erzgebirge, a Teplice, Dresden, Freiberg, Karl­Marx-Stadt, Annaberg, Carlsbad e Pilsen. Infelizmente o Congresso propriamente dito de 19 a 28 de agosto não pôde ser realizado em virtude da invasão da cidade de Praga por tanques e tropas soviéticas e de outros países do Pacto de Varsóvia. Como os tchecos pretendiam resistir à invasão estrangeira, as ruas centrais ficaram juncadas de cadáveres e moribundos, ruindo várias casas sob o impacto dos projéteis russos. Muitos edifícios foram destruídos pelas chamas, reunindo-se grande multidão tcheca na Praça Wenceslaw, vaiando as tropas de ocupação. Da janela de seu hotel Maack presenciou o sangrento combate.

Depois de voltar ao Brasil em novembro de 1968, tratou da sua aposentadoria, pois mesmo depois de atingida a idade limite preferira permanecer no trabalho ao invés de gozar do direito à aposen­tadoria compulsória.

A Reinhard Maack foram entregues, no dia primeiro de julho de 1969, as insígnias da Ordem do Mérito no grau de Comendador com que fora agraciado pelo Presidente da República Federal da Alemanha, sr. Heinrich Lübke, em sessão solene na residência do Cônsul da Alemanha, sr. Roland Zimmermann.

Apesar de Reinhard Maack vir sofrendo há muitos anos de reumatismo e de úlcera no duodeno, continuava a trabalhar intensivamente. Assim conseguiu terminar as obras:

:: Drift Continental e Geologia do Atlântico Sul

:: Geografia Física do Estado do Paraná

:: A Serra do Mar no Estado do Paraná

:: A Água do Subsolo da Bacia Paraná-Uruguai

As duas primeiras obras foram publicadas antes de Maack ter de se submeter a uma intervenção cirúrgica em agosto de 1969. A importantíssima obra A Água do Subsolo da Bacia Paraná-Uruguai ainda está em prelo na Imprensa Universitária.

Na madrugada de 26 de agosto de 1969 Reinhard Maack cerrou os olhos para a eternidade, após ter sofrido um infarte do miocárdio. Termina assim uma abençoada vida repleta de idéias e realizações, uma brilhante carreira que principiou em Herford, estendeu-se por países distantes de norte a sul e de leste a oeste de nosso policrômico planeta, findando em Curitiba, após ter vivido 46 anos no Brasil.

Encerro este rápido retrospecto com as próprias palavras de Maack: “E estranho como felicidade e desdita, momentos preciosos e penosos, alegria e dor se confundem quando aprecio tudo à distância. Nas recordações todos os acontecimentos miraculosamente se banham num cálido raio luminoso, sendo ofuscados mesmo os dias da miséria com a luz do Sol. Embora não tenha encontrado o encantado “País da FeIicidade” em minha peregrinação terrena, predominou a abundância do belo que o bondoso destino me ofertou ”.



"Oh! olhos ditosos, tudo que vistes,
seja o que for, foi maravilhoso"

(Goethe, Fausto)




Texto Original: Úrsula Maack Kurowski

Pesquisa e Adaptação: Eng. Agrônomo Alessandro Casagrande








Última atualização ( Sexta, 17 Abril 2009 14:08 )