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Resenha de José Augusto Pádua*
É preciso saudar este “Terra de Promissão” como um marco importante na historiografia brasileira. Trata-se do primeiro livro de síntese, mesmo que conscientemente de caráter introdutório, sobre as conseqüências ambientais da política de estímulo à vinda de colonos europeus para o Brasil na passagem do século XIX ao XX. Tal linha de pesquisa começou a florescer nos últimos anos, através do esforço coletivo de historiadores ambientais situados em diferentes universidades do país, especialmente, como seria de se esperar, na região Sul.
O aparecimento de trabalhos monográficos de maior fôlego, no entanto, como no caso do presente livro, por mais relevantes que tenham sido os artigos e coletâneas até aqui publicados, revela o amadurecimento intelectual de uma reflexão cientificamente inovadora e de grande significado sócio-cultural, pois se refere à complexa e heterogênea formação da nossa sociedade.
O estudo da história ambiental brasileira, um campo de conhecimento que ainda se encontra em seus estágios iniciais, concentrou-se até agora na dimensão ecológica das formas clássicas de ocupação do território, centradas no trabalho escravo e na grande propriedade. Um modelo que teve início nos primeiros séculos da montagem do sistema colonial no país, centrado no eixo geográfico Nordeste-Sudeste. É bastante evidente a limitação deste paradigma para dar conta das intrincadas dinâmicas sócio-ambientais que marcaram a formação das regiões Sul, Norte e Centro-oeste. As próprias regiões Nordeste e Sudeste, aliás, como indicam pesquisas recentes, tiveram uma formação econômica bem mais complexa do que o binômio escravismo / latifúndio.
É irônico observar, contudo, que os primeiros críticos ambientais brasileiros, ao longo dos séculos XVIII e XIX, depositaram grande parte de suas esperanças na imigração de camponeses livres europeus. Tal política seria uma das colunas centrais do esforço de implantar entre nós uma relação mais saudável com a terra e os recursos naturais. José Bonifácio chegou a afirmar como verdade evidente, em 1823, o fato de que o trabalho dos “braços livre dos pequenos proprietários ou jornaleiros” promoveria a recuperação das terras abandonadas e a conservação das “das antigas matas virgens que pela sua vastidão e frondosidade caracterizam o nosso belo país”.
O ponto forte do presente estudo é justamente o de problematizar esse tipo de visão. A mera ausência do trabalho escravo, no contexto de uma fronteira aberta e do estranhamento cultural dos europeus diante da natureza tropical, não é garantia de cuidado ambiental. A fronteira de colonização dos pequenos proprietários, como, aliás, está ficando claro em algumas regiões de avanço da agricultura mercantil na Amazônia, em muitos casos promovida por descendentes dos colonos estudados neste livro, pode ser tão destruidora em relação às florestas quanto aquela das grandes propriedades. Ou seja, um problema que requer a elaboração de políticas públicas específicas e qualificadas para o seu enfrentamento.
A contribuição histórica para o debate de um tema tão atual, entre tantos outros motivos, já seria mais do que suficiente para recomendar a leitura desse excelente trabalho.
*José Augusto Pádua
Universidade Federal do Rio de Janeiro
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CORREA, Sílvio Marcus de Souza; BUBLITZ, Juliana. Terra de promissão: uma introdução à eco-história da colonização do Rio Grande do Sul. Santa Cruz do Sul: EDUNISC, 2006. 142 p.






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