José Augusto Pádua

Mudanças climáticas. Catástrofes naturais. Devastação de florestas. Consumo desenfreado. Quem ainda não se sentiu angustiado com a possibilidade do fim do planeta? Para o historiador José Augusto Pádua, este é, na verdade, um momento de oportunidades. “Ao invés de ver tudo isso na defensiva ou como um entrave, devemos encarar a coisa como uma alternativa”, diz o doutor em Ciências Políticas pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj), ex-coordenador da área de florestas do Greenpeace na América Latina e autor de Um sopro de destruição,entre outros livros.

Professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, ele é um dos pioneiros no Brasil no estudo da História Ambiental, um campo de pesquisa que se propõe a repensar a relação entre o homem e a natureza. Com a carreira dividida entre as salas de aula, as bibliotecas e a militância ambiental, nosso entrevistado faz um alerta: o que está em jogo hoje não é o planeta, mas os sistemas complexos que os humanos criaram para sobreviver nele. “Essa ideia de que nós vamos salvar o mundo é muito arrogante”, afirma.

Nesta conversa, ele fala sobre o surgimento da História Ambiental e lembra do encontro com Warren Dean, um dos pioneiros desta área nos EUA. Pádua também chamou a atenção para o legado da Rio 92, sobre as alternativas energéticas do Brasil, e se destaca a centralidade do país com a Rio+20: “O Brasil é um país central na discussão ambiental global”.

REVISTA DE HISTÓRIA Como a questão do meio ambiente surgiu no campo da História?

JOSÉ AUGUSTO PÁDUA A História Ambiental propriamente dita surge na década de 1970. O primeiro curso com esse título foi dado em 1972, na Universidade da Califórnia, em Santa Bárbara. Mas é claro que nas décadas anteriores, especialmente em trabalhos sobre história regional, já podemos ocasionalmente encontrar sofisticadas análises de cunho histórico-ambiental. O impulso ocorrido a partir de 1970 está relacionado a um fenômeno que não para de crescer: a explosão de questões da vida na agenda política. É o caso das mudanças climáticas, das poluições, da engenharia genética etc. O crescimento dessa agenda ambiental global, por sua vez, se relaciona com uma série de transformações muito profundas que aconteceram nos últimos dois séculos, especialmente a partir de meados do século XX, quando há um crescimento enorme da população, do consumo de energia e das escalas da presença humana no planeta.

RH Este crescimento da presença humana no planeta também afetou outras áreas do conhecimento?

JAP Todas as ciências foram desafiadas O que é absolutamente normal, já que a prática científica não está divorciada das inquietações da vida social. Na mesma época, por exemplo, surgiram a Economia Ecológica, a Sociologia Ambiental, o Direito Ambiental. Agora, não quero dar a impressão de que a História Ambiental nasce apenas de fora para dentro. Assim como a voz das ruas, também foram fundamentais algumas mudanças epistemológicas marcantes que vieram acontecendo no conhecimento científico e no próprio conceito de natureza. Uma delas foi o impressionante alargamento dos marcos cronológicos utilizados para estudar o mundo natural. No final do século XVIII, por exemplo, Buffon ousou afirmar que a Terra devia ter uns 70.000 anos. Hoje trabalhamos com um planeta de 4,5 bilhões de anos!  Outra mudança foi a adoção de um enfoque cada vez mais radicalmente histórico por parte das ciências naturais. Isso começou com muita força na Biologia, com o Darwinismo, com a ideia de que as espécies se constroem no tempo. Hoje em dia, quando falamos em universo, nos referimos a algo em expansão, galáxias se fundindo, estrelas nascendo. As palavras-chave da História Ambiental são essas: dinamismo, inter-relação, interações complexas ao longo do tempo.

RH Os anos 60 e 70 também foram marcados por uma maior amplitude de temas da História. Que impacto isso teve na consolidação de temas ambientais?

JAP No século XX ocorreu um processo de ampliação do leque temático utilizado na pesquisa histórica. A História Ambiental é parte dessa ampliação. Não se trata de reduzir a história humana aos aspectos biofísicos, mas de incluir essa dimensão, junto com fatores econômicos, culturais etc., no coração da análise histórica. Isso já vinha sendo feito antes dos anos 70, por meio de historiadores interessados em repensar com maior sofisticação as relações entre natureza e sociedade. E isso aconteceu inclusive no Brasil. A gente pega, por exemplo, Gilberto Freyre. O livro Nordeste, de 1936, é uma tentativa de repensar essa relação da cana com a água, os animais, as matas, os solos, os homens. O Sérgio Buarque de Holanda segue pela mesma trilha em Caminhos e fronteiras, tecendo análises muito finas sobre o tipo de vestuário, de alimentação e de plantas que eram usados para se sobreviver no interior do país. Então, hoje, com a existência institucional da História Ambiental, a gente recupera toda essa literatura e a reutiliza para criar um campo de investigação mais consciente de si mesmo. Foi o que fizeram os primeiros historiadores ambientais.

RH Quem são eles?

JAP Bom, nos Estados Unidos existe um certo protagonismo na pesquisa em História Ambiental. E nós tivemos uma sorte muito grande – e eu, uma sorte pessoal maior ainda. Afinal, um dos criadores desse campo nos Estados Unidos foi um brasilianista, Warren Dean. Ele era um historiador econômico, que tinha escrito sobre a história da industrialização de São Paulo, sobre o café no Vale do Paraíba. Eu o conheci em 1982, na véspera de minha formatura na PUC-Rio. Foi fascinante. Até porque eu já vinha estudando temas ecológicos e buscava, espontaneamente, fazer uma ponte com a história. Dean me fez ver que vários historiadores tinham a mesma inquietação, como Donald Worster, Alfred Crosby e William Cronon. Hoje esse tipo de investigação está presente nos vários continentes. Nós temos, por exemplo, uma Sociedade Latino-Americana e Caribenha de História Ambiental (Solcha). Existe uma produção historiográfica cada vez maior, com forte intercâmbio internacional.

RH Como essas pesquisas podem influenciar a discussão sobre o meio ambiente?

JAP É um tema sensível, pela forte presença do debate público sobre esses assuntos. É muito importante não politizar a pesquisa histórica, embora seja ilusório imaginar que ela possa ser completamente livre de componentes políticos. Mas a História Ambiental não busca uma participação política explícita. Isso fica a cargo de cada pesquisador como cidadão. Agora, o que acontece é que o enfoque histórico é muito revelador para quem está trabalhando na área ambiental, seja em termos de políticas públicas, de ativismo etc. Ele permite entender os problemas em uma perspectiva mais ampla. Então, existe uma certa busca de conhecimentos e argumentos históricos pelos diferentes atores da cena ambiental.

RH Como surgiu no Brasil a consciência de que nossos recursos naturais não eram infinitos?

JAP Penso que o mito da natureza inesgotável é um elemento central na construção do território e da sociedade no Brasil. Mas já no final do século XVIII pode-se observar, entre homens de ciência e alguns representantes do Estado, e mesmo alguns fazendeiros, uma preocupação com a maneira destrutiva como o processo de ocupação da terra estava se dando. Era um processo muito regionalizado. Podemos pensar a formação do Brasil através da lenta integração de manchas de ocupação territorial mais intensa. Nessas manchas, as práticas econômicas eram bastante devastadoras em relação às florestas, aos solos e à fauna regional. O uso do fogo era muito difundido. Alguns poucos analistas dizem que a sociedade brasileira era cuidadosa em relação ao meio ambiente até o século XX. Para mim, isso não faz sentido. O conjunto da população era relativamente pequeno e a ocupação territorial era fragmentada. Mas nessas manchas regionais, os modos de ocupação da terra eram predatórios. O que aconteceu depois é que esses modos de ocupação vieram se ampliando, se integrando e avançando na direção de novas fronteiras nas matas de araucária, no cerrado, na Floresta Amazônica.

RH E a Mata Atlântica?

JAP Exemplifica o que acabei de dizer. Modos destrutivos de ocupação aparecem desde os engenhos no século XVI. Mas a grande destruição agregada da Mata Atlântica se dá no século XX, com as tecnologias industriais e o impressionante crescimento da população e da economia brasileiras.

RH Então os aspectos ecológicos estão muito presentes na História do Brasil?

JAP Não é à toa que somos o único país do mundo com o nome de uma árvore. Agora, não é uma homenagem à árvore e sim a um indicador de destruição. O pau-brasil simboliza o processo de apropriação agressiva de solos, biomassa e biodiversidade que marca profundamente a História do Brasil. O país se formou em um movimento macro-histórico impressionante de transformação ecológica. Veja tudo o que representou a introdução nas paisagens locais de plantas exóticas, como a cana-de-açúcar, o café, a soja e o eucalipto. Se não fossem dois animais exóticos (o boi e o cavalo), dificilmente você teria tido um território tão grande na América portuguesa. E os colonizadores de fato tiveram a inteligência de não destruir florestas para colocar gado, como infelizmente se faz hoje na Amazônia. Eles moviam o gado para biomas mais abertos do território, para a caatinga, para o cerrado, para o pampa, para os campos naturais da Amazônia. E isso não é determinismo geográfico, é a realidade da interação humana com o mundo onde vive.

RH O que acha de iniciativas como a criação do Parque Nacional da Tijuca, no Rio de Janeiro?

JAP Essa floresta urbana não é totalmente nativa nem totalmente reflorestada. Nela ocorreu um fenômeno ainda mais interessante. Houve uma sinergia entre a ação humana e os movimentos da natureza. Porque as montanhas do Rio tinham sido bastante desflorestadas na primeira metade do século XIX por causa do café, do carvão etc. Isso gerou áreas desmatadas e degradadas. A falta de água na cidade, que vinha dessas montanhas, foi usada como recurso político para financiar um projeto que envolveu a nata da intelectualidade do Império. A ideia, inclusive, era levar depois o reflorestamento para outras regiões. Mas, apesar das dezenas de milhares de mudas plantadas, o grande reflorestador foi a natureza. Quando o café migrou para o Vale do Paraíba, a própria natureza já começou um movimento de recomposição da floresta. A capacidade regenerativa dos trópicos é algo com que podemos contar ainda hoje nos esforços para recuperar a saúde de tantas áreas degradadas.

RH Quais são os modelos de conservação da natureza que vigoram hoje?

JAP Pode-se dizer que existem dois grandes paradigmas modernos para a conservação da natureza. Um deles é mais utilitário, voltado para conservar o funcionamento dos ecossistemas e o equilíbrio climático no sentido de não prejudicar a economia e as demandas concretas das sociedades humanas. Esse enfoque foi dominante no século XIX, inclusive no Brasil E, na verdade, continua dominante até hoje no debate político sobre o meio ambiente e o desenvolvimento sustentável. Agora, existe um outro paradigma que vem da tradição romântica, desde o século XVIII, defendendo o valor intrínseco, estético e espiritual da natureza. Mas as coisas não são estanques. Os dois paradigmas se misturam pelo caminho. De todo modo, acho óbvio que precisamos repensar nosso lugar no planeta, pelo menos através de um “antropocentrismo esclarecido”.

RH O que é isso?

JAP É a ideia de que temos o maior interesse, como espécie, em não destruir a atual configuração da natureza do planeta, muito benéfica, de maneira geral, para as civilizações humanas. A Terra, em sua longuíssima duração, já passou por enormes transformações e flutuações biofísicas. As condições atuais são excelentes. Mas algumas flutuações, que para a manutenção da biosfera terrestre não representam qualquer risco, para as sociedades humanas podem ser fatais. Por exemplo: mais quatro ou cinco graus de temperatura média são perfeitamente absorvíveis pelo planeta. Os sistemas se reorganizam e continuam funcionando. Agora, para as civilizações humanas, este nível de aumento de temperatura é catastrófico. Então, quem está mais ameaçado somos nós. Não se trata do desaparecimento do ser humano, mas da inviabilização de estruturas complexas criadas pela civilização.

RH Isso desfaz aquele lema de “vamos salvar o mundo”.

JAP Exatamente. Uma leitura histórica mais ampla nos leva a repensar lugares-comuns. Este é um planeta de 4,5 bilhões de anos, e o Homo sapiens vive nele há uns 200.000 anos. A vida na Terra já superou desafios muito maiores do que qualquer coisa que possamos provocar com as nossas armas atômicas, por exemplo. A ideia de que nós vamos salvar o planeta é muito arrogante. Mas existem ameaças graves e concretas às bases materiais que garantem a reprodução das civilizações humanas.

RH A historiografia dá atenção às mudanças ambientais?

JAP Nem sempre. Mas é fundamental entender a historicidade dos problemas e das visões ambientais. O conhecimento histórico deveria ser importante, por exemplo, para não se repetirem na Amazônia os modelos devastadores que vigoraram na Mata Atlântica.

RH E de que forma essa análise da História Ambiental pode se relacionar, por exemplo, com a exploração do petróleo?

JAP Neste caso, estamos vivendo uma situação macro-histórica muito irônica. As reservas de petróleo são relativamente grandes, mas as de carvão são muito maiores. Só que não vamos poder usar esses estoques de combustíveis fósseis por causa das consequências sistêmicas gravíssimas que sua queima representa para o aquecimento do planeta. Então são barreiras de um novo tipo, baseadas em um conhecimento cada vez maior dos sistemas ecológicos planetários. É importante que o público perceba a dimensão do que representou o uso massivo dos combustíveis fósseis na transformação da vida humana no planeta. Foi uma revolução radical, que se confunde com a própria modernidade. Em 1800, menos de 2% da população humana era urbana. Hoje já estamos próximos de 60%. Em apenas 200 anos. O que representará, para uma civilização cada vez mais globalizada, o imperativo de descarbonizar a economia, de reduzir fortemente o teor de combustível fóssil e buscar fontes limpas e renováveis de energia? O que isso representará em termos sociais e culturais? Estudando a História, as dimensões desse dilema se colocam com muita clareza.

RH Como o Brasil se posiciona em relação às negociações ambientais desde a Rio 92?

JAP A primeira coisa que eu acho importante observar é como o Brasil é um país central na discussão ambiental global. Não é por acaso que a Rio 92 aconteceu aqui e que a Rio+20 também será realizada por estas bandas. Hoje em dia, quando você fala em países emergentes, a China e a Índia se destacam no curto prazo pelo tamanho da população. O tamanho e a importância ecológica do território saltam aos olhos no caso do Brasil. A realidade do país, por outro lado, faz com que aqui tenhamos que enfrentar ao mesmo tempo o problema da poluição causada pela miséria mais abjeta e pela tecnologia mais sofisticada. Somos uma espécie de laboratório. A Rio 92 trouxe uma nova perspectiva, consagrou a ideia do desenvolvimento sustentável e produziu tratados internacionais que estão em processo de aperfeiçoamento, de tentar uma implementação real – e teve um peso que acho que a Rio+20 não vai ter.

RH O que espera da Rio+20?

JAP Penso que um ponto-chave no debate contemporâneo, que vai se repetir na Rio+20, é que a solução para os dilemas que estamos vivendo implica a necessidade de mudanças estruturais mais amplas, nos modos de vida, nos padrões de produção e consumo, nos sistemas educacionais. A ideia da Rio+20 é justamente discutir essas questões conceituais. Mas ela corre o risco de ficar apenas na retórica, até pelo fato de não negociar mudanças legislativas concretas.

RH Como o Brasil tem se posicionado nesses encontros?

JAP O Brasil tem uma tradição de reflexão intelectual sobre o assunto que já é bastante antiga. Agora, nós tínhamos uma tradicional dificuldade em transformar essas ideias na implementação concreta de leis e políticas públicas. Quando a discussão começou a crescer no nível global, a participação inicial do Brasil foi muito conservadora. Em Estocolmo, em 1972, a participação do Brasil foi muito mais de resistência do que de proposição. De lá para cá, houve um avanço muito grande.

RH Poderia citar um desses avanços?

JAP De 2003 para cá, o Brasil criou cerca de 73% das áreas protegidas do planeta. O desmatamento na Amazônia teve uma inflexão importante, caiu quase 70% na última década. Tanto no nível da produção intelectual, da pesquisa acadêmica, quanto da diplomacia e da política, houve um desenvolvimento muito grande. É um dos países que mais discutem a questão ambiental no cotidiano do debate político. Mas ainda existem muitas resistências para avançar nesse campo, seja na política interna ou na diplomacia.

RH Como se explica isso?

JAP É preciso uma mudança de mentalidade. Basta uma visão histórica mais ampla, aberta ao futuro, para perceber o muito que o Brasil tem a ganhar no mundo das energias renováveis, por exemplo. É do nosso maior interesse adotar um manejo mais inteligente do território, disciplinando as fronteiras de ocupação econômica, não deixando que práticas predatórias destruam as suas grandes riquezas ecológicas. Ao invés de vermos a temática ambiental como um entrave, na defensiva, devemos ver tudo isso como uma grande oportunidade para o país. Penso que é por aí que devemos caminhar.

Verbetes

Darwinismo

Teoria evolucionista do biólogo Charles Darwin (1809-1882), segundo a qual sobrevivem ao tempo as espécies que melhor se adaptam ao meio ambiente, e transmitem aos seus descendentes características dessas mudanças.

Gilberto Freyre (1900-1987)

Antropólogo nascido em Pernambuco, é considerado um dos grandes autores da historiografia brasileira. Escreveu, entre outros títulos, o clássico Casa-Grande & Senzala (1933).

Sérgio Buarque de Holanda (1902-1982)

Historiador e autor de Raízes do Brasil (1936), interpretação da realidade nacional que marcou a década de 1930 e as gerações seguintes. Identificou no colonialismo elementos centrais da formação social e psicológica do brasileiro.

Donald Worster

Professor de História na Universidade de Kansas e um dos pioneiros da História Ambiental nos EUA. Defende uma percepção da natureza voltada para a conservação e para a maneira como esta afetou a humanidade.

William Cronon

Professor da Universidade de Wisconsin-Madison, foi presidente da Sociedade Americana de História Ambiental. Discute as representações culturais da natureza e suas implicações nos problemas ambientais modernos.

Obras do autor

Desenvolvimento, Justiça e Meio Ambiente. Belo Horizonte: Editora da Universidade Federal de Minas Gerais, 2009 (organizador).

Um Sopro de Destruição: Pensamento Político e Crítica Ambiental no Brasil Escravista (1786-1888).Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2004. v. 1.

Annihilating Natural Productions: Nature´s Economy, Colonial Crisis and the Origins of Brazilian Political Environmentalism (1786-1810). Environmentand History, Cambridge, v. 6, nº 3, 2000.

“ONascimentodaPolíticaVerdenoBrasil:FatoresExógenos eEndógenos”. In Leis, H. (org.). Ecologia e Política Mundial. Rio de Janeiro: Vozes, 1991, v. 1.

Fonte: http://www.revistadehistoria.com.br