Nova Lista Vermelha da IUCN traz mais 700 espécies ameaçadas de extinção

Dentre elas a araucária que, desde 2006, está como criticamente ameaçada.

Dentre elas a araucária que, desde 2006, está como criticamente ameaçada.

Foi divulgado,  no dia primeiro deste mês, a nova Lista Vermelha da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN) que traz o número de espécies (fauna e flora) ameaçadas de extinção em todo o mundo. De acordo com novo levantamento, mais 700 espécies foram adicionadas nas três categorias de ameaça.

São 20.934 consideradas ameaçadas de extinção e 4.090 na categoria “criticamente em perigo” (137 a mais do que na anterior). Existe ainda o grupo das que recebem até mesmo uma denotação como “possivelmente extintas”, quando já não são vistas na natureza há algum tempo. Como, por exemplo, um camarão de cavernas da Flórida que passou para essa categoria. O grupo dos camarões de água-doce foi avaliado por completo pela primeira vez nesta revisão: 28% estão ameaçados.

A nova lista inclui a primeira avaliação global de coníferas (árvores com flores em forma de cones ou pinhas, como os pinheiros), que são os maiores e mais antigos seres vivos do planeta. A situação de todo o grupo foi reavaliada, e concluiu-se que 34% das espécies de coníferas estão ameaçadas de extinção.

Uma das que correm mais risco é a araucária, ou pinheiro-do-paraná, classificada desde 2006 como criticamente ameaçada. Espécie típica das regiões mais frias e de maior altitude da Mata Atlântica brasileira, ela teve a área de ocorrência reduzida drasticamente nas últimas décadas por causa da conversão de matas nativas em áreas de agricultura e silvicultura.

Com o aquecimento global, cientistas acreditam que a situação pode piorar, especialmente para espécies como a araucária que prefere temperaturas mais amenas. “A modelagem do impacto das mudanças climáticas indica que até o final deste século a espécie poderá estar extinta na natureza”, disse o botânico Carlos Joly, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no interior de São Paulo.

“Graças à Lista Vermelha da IUCN, mais do que nunca, agora temos mais informações sobre o estado da biodiversidade no mundo”, diz a diretora da entidade, Jane Smart. “A situação é preocupante. Devemos ao máximo usar este conhecimento para esforçarmos na conservação, se realmente queremos parar a extinção que continua a ameaçar todas as espécies do planeta”.

A Lista Vermelha da IUCN foi criada em 1963 e constitui um dos inventários mais detalhados do mundo sobre o estado de conservação mundial de várias espécie de plantas, animais, fungos e protistas (grupo diverso de micro-organismos eucariontes unicelulares). Ela obedece critérios precisos, para avaliar os riscos de extinção de milhares das espécies e subespécies, em todas as regiões do mundo, com o objetivo de informar sobre a urgência das medidas de conservação para o público e legisladores, assim como ajuda a comunidade internacional na tentativa de reduzir as extinções.

Com informações de O Estado de São Paulo