Os “Cem Anos de Devastação” do estado de São Paulo revisitados

Uma revisita 30 anos depois de sua publicação

É com satisfação e privilégio que a Secretaria de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente patrocina a nova edição da histórica publicação “Cem Anos de Devastação”, de autoria de Mauro A. M. Victor, Antônio C. Cavalli, João R. Guillaumon e Renato Serra Filho, no momento em que todos nós comemoramos os 30 anos da sua primeira edição na Revista de Silvicultura da Sociedade Brasileira de Silvicultura. Os autores realizaram um meticuloso trabalho ao descreverem a cobertura florestal de São Paulo, como também as fases da destruição das florestas do estado. Graças a esse profundo estudo, sabemos o que ocorreu com a Mata Atlântica desde 130 anos atrás.

Ele se tornou numa obra que influenciou, entre tantos como nós, biólogos, ecólogos, engenheiros florestais e agrônomos e outros profissionais, fazendo-nos repensar, com seriedade, o preço do desenvolvimento às custas da destruição dos ecossistemas que perfazem a biodiversidade. Quantos profissionais e mesmo estudantes tomaram rumos diferentes em suas carreiras em função desse estudo? E provável que muitos alunos tenham encaminhado sua carreira para o tema ambiental, tanto na conservação quanto no uso sustentável dos recursos naturais. Isso seria um bom tema de pesquisa, devido ao tanto que ele foi realçado nas discussões acadêmicas e mesmo na imprensa da época.

Em nossa sociedade, ainda que os tempos sejam outros, dados os avanços na ciência e na tecnologia e os novos conhecimentos e ferramentas sobre as florestas tropicais, permanece prevalecendo o valor da terra nua, desmatada, e da madeira, em detrimento de outros produtos que a floresta pode dar e gerar riqueza e emprego. Continua presente o espírito desbravador dos antigos pioneiros, “a ferro e fogo” – para homenagear Warren Dean -, contra as matas. Alterar essa cultura exige um esforço conjunto do governo e da sociedade.

A presente obra nos ensinou muito sobre a riqueza e destruição das matas paulistas. Cremos que as lições dela podem agora ajudar-nos a compreender e a melhorar a situação de outros biomas brasileiros, em especial a Amazônia, igualmente floresta tropical, tão rica, amada e devassada. Assim, vem a calhar a lembrança, após 30 anos, deste artigo memorável que, mesmo sendo uma recordação de uma história de degradação contribua para não permitir que a história triste se repita. Que, então, nos aponte novos caminhos, pois o velho já o conhecemos.  Boa leitura!

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João Paulo Capobianco

Secretário de Biodiversidade e Florestas. MMA

Paulo Kageyama

Diretor de Biodiversidade. SBF. MMA

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