Viaje pintoresco por los rios Paraná, Paraguay, Sn. Lorenzo, Cuyabá completa 150 anos

bossi_1863Livro do naturalista italiano Bartolomé Bossi completa 150 anos e relata a atribulada aventura exploratória na região mato-grossense. Leiam a resenha abaixo de Augusto César Proença sobre a obra.

UM ITALIANO EM MATO GROSSO

Em 1862, Mato Grosso recebia a visita de um audacioso marinheiro italiano que, certo dia, cansado do mar, resolve partir de Montevidéu a fim de procurar nas misteriosas florestas virgens aquelas emoções que não mais encontrava no mar.  Esse naturalista, chamava-se Bartolomé Bossi. Com uma pequena expedição percorre quilômetros e mais quilômetros de rios, até chegar ao vasto e enigmático Mato Grosso para, então, deixando a pitoresca Corumbá, prosseguir viagem pelos rios Paraguai, São Lourenço, Cuiabá e encontrar a “Orilla do El Arino”, cuja nascente fica próxima às dos rios Paraguai e Cuiabá.

A finalidade dessa arrojada expedição exploratória era a de fazer um levantamento para a elaboração do primeiro mapa da região, em grande parte inexplorada e, também, um estudo sobre o Arinos, um rio que corre em direção ao Norte e se une com o Tapajós para desaguar no grande Amazonas, num local batizado de “Puerto de La Esperança”.

A viagem, logicamente, não foi nada tranqüila para o ousado italiano que passou por maus momentos ao ser atacado, logo na descida do Rioa Arinos, por duas curiosas tribos de índios: a dos “Tapañuna”, que viviam á margem esquerda e só atacava durante o dia e a dos “Marcielagos”, que só atacavam à noite, pertencentes a uma raríssima tribo de índios albinos, muito ferozes, que habitavam, as densas e obscuras florestas, à margem direita do Rio Arinos. E jamais saíam à luz do dia.

Bartolomé Bossi ficou extasiado com tudo o que viu, com as belezas e os recursos naturais da região mato-grossense, apesar das doenças tropicais contra as quais teve que lutar.

Escreveu um livro relatando a venturosa viagem, que foi editado em Paris, no ano de 1863 e dedicado ao Barão de Mauá: “Viaje Pintoresco por los Rios Paraná, Paraguai, São Lourenço, Cuyabá y el Arinos, tributário Del grande amazonas”.

Na época em que o experiente cientista passou por aqui, Corumbá já estava e, franco progresso, transformara-se, recentemente em Vila e nela já se encontravam instaladas a Alfândega, a Mesa de Rendas, a sede do Distrito Militar do Baixo Paraguai, com um Batalhão de Artilharia a Pé. A pequena Vila, então, florescia, dava os seus primeiros passos rumo ao que seria alguns anos mais tarde: um certo comercial ativo e importante de Mato Grosso.

No citado livro, registra as suas impressões sobre a então vila: “Corumbá és em pueblo para el cual sonrie um destino muy propero”. Em virtude da abundância de cal, achou as terras pobres para a agricultura e o custo de vida altíssimo, principalmente os aluguéis de casa, o que o levou a comparar Corumbá com a Califórnia dos velhos tempos da corrida do ouro do Oeste Americano.

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BOSSI, Bartolomé. Viaje pintoresco por los rios Paraná, Paraguay, Sn. Lorenzo, Cuyabá y el Arino tributário Del grande Amazonas, con la description de la província de Mato Grosso bajo su aspecto físico, geográfico, mineralojico y sus producciones naturales. Paris. 1863.